MedEvo Simulado — Prova 2026
Letícia, 26 anos, nuligesta, apresenta queixa de dismenorreia intensa há cerca de 3 anos, com piora progressiva nos últimos 8 meses. Relata que a dor, inicialmente restrita ao período menstrual, agora se manifesta também como dor pélvica persistente e dispareunia de profundidade ocasional. Faz uso regular de anticoncepcional oral combinado monofásico há 1 ano, porém sem melhora satisfatória do quadro álgico. Ao exame físico ginecológico, observa-se útero em retroversão, com mobilidade reduzida, e presença de nodularidade endurecida e extremamente dolorosa à palpação de ligamentos uterossacros e fundo de saco posterior. O exame especular e a ultrassonografia pélvica transvaginal convencional, realizada há dois meses por radiologista geral, não evidenciaram alterações em útero ou anexos. Diante da suspeita clínica e da falha no tratamento clínico inicial, o próximo passo mais adequado para a investigação desta paciente é:
Suspeita de endometriose profunda + USG convencional normal → Solicitar USG com preparo intestinal ou RM com protocolo específico.
A ultrassonografia transvaginal convencional tem baixa sensibilidade para endometriose profunda; o mapeamento especializado com preparo intestinal é o próximo passo padrão-ouro para localização de lesões.
O diagnóstico de endometriose profunda permanece um desafio clínico, com um atraso médio de 7 a 10 anos. O caso clínico de Letícia é clássico: dor progressiva, falha no tratamento hormonal e exame físico sugestivo (nodularidade dolorosa e útero fixo), contrastando com um exame de imagem inicial normal. Isso reforça que um 'USG normal' não exclui endometriose. O mapeamento de endometriose por ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, quando realizado por radiologistas ou ginecologistas especializados, apresenta sensibilidade e especificidade superiores a 90% para lesões retrocervicais e intestinais. A dosagem de CA-125, embora citada, possui baixa sensibilidade e especificidade, não sendo útil para o diagnóstico definitivo ou exclusão da doença. A estratégia moderna foca no diagnóstico por imagem de alta resolução para planejar uma abordagem terapêutica assertiva.
A ultrassonografia pélvica convencional é excelente para avaliar o útero e identificar endometriomas ovarianos, mas possui baixíssima sensibilidade para identificar focos de endometriose profunda infiltrativa (lesões > 5mm de profundidade) em locais como ligamentos uterossacros, septo retovaginal e alças intestinais. A presença de gases intestinais e a falta de manobras dinâmicas específicas no exame comum impedem a visualização dessas nodularidades.
O preparo intestinal (geralmente com laxativos na véspera) visa esvaziar o reto e o sigmoide de fezes e gases. Isso cria uma janela acústica adequada que permite ao examinador experiente identificar pequenos nódulos hipoecoicos na parede intestinal e em regiões retrocervicais. Além disso, o exame é dinâmico, permitindo avaliar a mobilidade dos órgãos e o 'sinal do deslizamento', fundamental para diagnosticar obliteração do fundo de saco de Douglas.
Atualmente, a laparoscopia não deve ser o primeiro passo 'diagnóstico' às cegas. Ela é indicada para o tratamento cirúrgico definitivo após um mapeamento pré-operatório detalhado (por USG com preparo ou Ressonância Magnética). O diagnóstico por imagem permite que a equipe cirúrgica se prepare para procedimentos complexos, como ressecções intestinais ou ureterais, evitando surpresas intraoperatórias e garantindo a excisão completa dos focos.
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