USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Mulher de 20 anos de idade, ciclos menstruais regulares e mensais, refere dismenorréia desde a menarca, com piora progressiva e necessidade crescente do uso de medicação analgésica. Iniciou vida sexual há 6 meses, com uso de preservativo, e apresenta dor à penetração profunda. Nega outras comorbidades e uso regular de medicamentos que não analgésicos. Exame clínico geral normal. Palpação abdominal com hiperestesia em hipogástrio. Exame especular normal. Toque vaginal com dor em fórnice vaginal posterior com identificação de nodulação endurecida, dolorosa e fixa.a) Considerando a principal hipótese diagnóstica, cite 3 mecanismos associados à sua fisiopatologia.b) Cite dois exames de imagem para confirmar diagnóstico c) A paciente foi inicialmente medicada com progestagênio. Qual é o mecanismo de ação para controle desta doença?
Dismenorreia + Dispareunia profunda + Nódulo em fórnice = Endometriose profunda.
A endometriose profunda é caracterizada por implantes que penetram >5mm no peritônio. O diagnóstico clínico sugere o local da lesão, confirmado por exames de imagem especializados.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica estrogênio-dependente que afeta mulheres em idade reprodutiva. A apresentação clínica clássica envolve a tríade de dismenorreia, dispareunia e dor pélvica crônica. O exame físico é fundamental, especialmente o toque vaginal para identificar nódulos em fórnice posterior. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo refluxo menstrual e falha na vigilância imunológica. O tratamento clínico visa o controle álgico através do bloqueio hormonal, sendo os progestagênios uma escolha de primeira linha por induzirem atrofia endometrial e reduzirem a inflamação local.
As principais teorias incluem a menstruação retrógrada (Teoria de Sampson), onde células endometriais fluem pelas tubas para a cavidade peritoneal; a metaplasia celômica, que sugere a transformação de células peritoneais em tecido endometrial; e a disseminação linfática ou vascular. Além disso, fatores imunológicos e genéticos desempenham papel crucial na sobrevivência e implantação desse tecido ectópico.
Os exames padrão-ouro são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, realizada por radiologista especializado, e a ressonância magnética da pelve. Ambos possuem alta sensibilidade e especificidade para identificar focos em ligamentos uterossacros, septo retovaginal e alças intestinais, permitindo o mapeamento pré-operatório adequado.
Os progestagênios promovem a decidualização inicial do tecido endometrial ectópico, seguida de atrofia progressiva. Além disso, exercem um efeito inibitório sobre o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando a um estado de hipoestrogenismo relativo e anovulação, o que reduz o estímulo proliferativo sobre as lesões e controla a dor.
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