UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 41a, nuligesta, acompanhada por dismenorreia, que a incapacita de realizar atividades diárias, e dispareunia de profundidade há três anos. Tem ciclos menstruais regulares e usa condom como método contraceptivo. Antecedente pessoal: quadrantectomia por carcinoma in situ da mama; obesidade grau II. Ressonância magnética de pelve: lesão em fundo de saco posterior sugestiva de endometriose. A CONDUTA É:
Endometriose profunda com dor incapacitante e contraindicação hormonal (história de câncer de mama) → tratamento cirúrgico é a conduta.
Paciente com endometriose profunda sintomática (dismenorreia e dispareunia incapacitantes) e histórico de câncer de mama (contraindicando terapia hormonal estrogênica ou progestagênica em alguns casos) tem indicação de tratamento cirúrgico. A RM de pelve confirma a lesão em fundo de saco posterior.
A endometriose profunda é uma forma grave da doença, caracterizada pela infiltração de tecido endometrial a mais de 5 mm de profundidade nos órgãos pélvicos, como ligamentos uterossacros, septo retovaginal, intestino e bexiga. Causa sintomas intensos como dismenorreia incapacitante, dispareunia profunda, dor pélvica crônica e sintomas intestinais/urinários cíclicos, impactando severamente a qualidade de vida da paciente. O diagnóstico é frequentemente suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem avançados, como a ressonância magnética de pelve. O tratamento da endometriose profunda é desafiador e deve ser individualizado. Em pacientes sem contraindicações, a terapia hormonal (progestágenos contínuos, análogos de GnRH) é a primeira linha para controle da dor. No entanto, em casos como o apresentado, onde há histórico de câncer de mama (especialmente se hormônio-sensível), a terapia hormonal pode ser contraindicada devido ao risco de estimular a recorrência do câncer. Nessas situações, o tratamento cirúrgico se torna a principal opção. A cirurgia para endometriose profunda visa a excisão completa das lesões, o que pode ser complexo e exigir equipes multidisciplinares, especialmente quando há envolvimento intestinal ou urológico. O objetivo é aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e, se aplicável, restaurar a fertilidade, sempre ponderando os riscos e benefícios do procedimento.
O histórico de câncer de mama, especialmente se for hormônio-sensível, contraindica o uso de terapias hormonais (estrogênios e progestágenos) que são comumente usadas para tratar a endometriose, devido ao risco de recorrência ou progressão do câncer.
O tratamento cirúrgico é indicado para dor refratária ao tratamento clínico, infertilidade associada, lesões obstrutivas (intestinais, uretrais) ou em casos onde a terapia hormonal é contraindicada, como o cenário de câncer de mama.
A RM de pelve é um exame de imagem de alta sensibilidade e especificidade para identificar e mapear lesões de endometriose profunda, incluindo as de fundo de saco posterior, auxiliando no planejamento cirúrgico e na avaliação da extensão da doença.
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