IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2022
Uma mulher de 35 anos, G0P0, vem referindo dor pélvica cíclica há 5 anos e retorna em consulta ginecológica para resultado de exame. Nunca fez uso de método contraceptivo. Ecografia transvaginal e abdominal revela cisto ovariano de conteúdo espesso com 3cm e nódulo na região do ureter direito, com hidronefrose leve à direita. A conduta é:
Endometriose com hidronefrose por nódulo ureteral → cirurgia para exérese do cisto e nódulo.
A endometriose profunda, especialmente com envolvimento ureteral e hidronefrose, é uma condição grave que requer intervenção cirúrgica. A exérese completa das lesões é crucial para aliviar a dor, preservar a função renal e melhorar as chances de fertilidade, sendo o tratamento hormonal adjuvante ou para casos menos complexos.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Manifesta-se principalmente por dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade. A endometriose profunda é uma forma grave da doença que pode infiltrar órgãos como o intestino, bexiga e ureteres. O caso descrito, com dor pélvica cíclica há 5 anos, infertilidade (G0P0), cisto ovariano de conteúdo espesso (sugestivo de endometrioma) e, crucialmente, um nódulo na região do ureter direito com hidronefrose leve, aponta para endometriose profunda com comprometimento do trato urinário. A hidronefrose indica obstrução do ureter, que, se não tratada, pode levar à perda da função renal. Diante de um quadro de endometriose com hidronefrose, a conduta mais adequada é a intervenção cirúrgica. O objetivo é a exérese completa das lesões endometrióticas, incluindo o endometrioma ovariano e o nódulo ureteral, para desobstruir o ureter, preservar a função renal e aliviar os sintomas. Embora a terapia hormonal seja uma opção para o manejo da dor e para suprimir a doença em casos menos complexos, ela não é suficiente para resolver uma obstrução ureteral estabelecida. A cirurgia deve ser realizada por equipe experiente em endometriose profunda para garantir a ressecção completa e minimizar complicações.
Além da dor pélvica cíclica intensa e dismenorreia, o envolvimento ureteral pode ser assintomático ou causar dor lombar unilateral, disúria, hematúria e, em casos avançados, sintomas de insuficiência renal devido à hidronefrose e perda da função renal.
A cirurgia é indicada porque a hidronefrose causada por um nódulo endometriótico no ureter representa uma obstrução que pode levar à perda irreversível da função renal. A exérese cirúrgica do nódulo e do cisto ovariano visa desobstruir o ureter, preservar o rim e remover o foco da doença, aliviando a dor e melhorando a qualidade de vida.
As opções incluem contraceptivos orais combinados contínuos, progestogênios (oral, injetável, DIU hormonal) e agonistas de GnRH. São indicadas para o manejo da dor em casos de endometriose leve a moderada, como terapia adjuvante pós-cirúrgica ou em pacientes que não são candidatas à cirurgia, mas não resolvem a obstrução ureteral.
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