Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma paciente de 37 anos de idade, G0P0, apresenta quadro de infertilidade associado a queixas de cólicas menstruais intensas que têm aumentado nos últimos dois anos, associada a dispareunia. No exame, observou-se a presença de dor à mobilização do colo uterino e de espessamento do ligamento uterossacro direito.A respeito da principal hipótese diagnóstica no caso clínico acima, assinale a alternativa correta.
Suspeita de endometriose profunda com infertilidade → RM de pelve ou USG com preparo intestinal para estadiamento.
A paciente apresenta sintomas clássicos de endometriose profunda (dismenorreia progressiva, dispareunia, infertilidade, achados ao exame físico). Nesses casos, a investigação por imagem de alta resolução, como RM de pelve ou ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, é fundamental para mapear as lesões e planejar a conduta, que pode ser cirúrgica.
A endometriose é uma condição crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. A endometriose profunda, em particular, envolve a infiltração de lesões em profundidade maior que 5 mm, podendo acometer órgãos como intestino, bexiga e ligamentos uterossacros, e é frequentemente associada a sintomas mais severos e infertilidade. O diagnóstico clínico é baseado na tríade clássica de dismenorreia progressiva, dispareunia e dor pélvica crônica, frequentemente acompanhada de infertilidade. O exame físico pode revelar dor à mobilização do colo uterino e nódulos ou espessamentos nos ligamentos uterossacros. A investigação por imagem é fundamental para confirmar a suspeita e estadiar a doença. A ressonância magnética de pelve e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal são os métodos de imagem de escolha para o diagnóstico e mapeamento da endometriose profunda, permitindo identificar a localização e extensão das lesões. A laparoscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e tratamento cirúrgico, mas deve ser guiada pelos achados de imagem para otimizar o procedimento. O tratamento é individualizado, considerando a gravidade dos sintomas, desejo de gravidez e extensão da doença.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia intensa e progressiva, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica, infertilidade e, por vezes, sintomas intestinais ou urinários cíclicos, dependendo da localização das lesões.
Esses exames são cruciais para mapear a extensão e profundidade das lesões de endometriose, especialmente as profundas, permitindo um planejamento cirúrgico mais preciso e evitando procedimentos desnecessários ou incompletos.
O CA 125 pode estar elevado na endometriose, mas não é específico nem sensível o suficiente para ser usado como ferramenta diagnóstica primária. É mais útil no monitoramento da resposta ao tratamento ou na suspeita de malignidade associada.
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