Endometriose Intestinal: Diagnóstico com USG Transvaginal

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente, 19 anos, refere cólica menstrual intensa com início 2 dias pré-menstrual e se estende por 5 dias de fluxo. Ciclos menstruais regulares e mensais. Uso de preservativo como contracepção. Nuligesta. Nega alterações de hábito intestinal e urinário. Sem outras comorbidades. Ao exame de toque vaginal apresenta útero retrovertido e fixo, com regiões anexiais livres. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual o exame mais sensível para avaliação de comprometimento intestinal?

Alternativas

  1. A) Colonoscopia com preparo intestinal
  2. B) Enema opaco com preparo intestinal
  3. C) Tomografia computadorizada com contraste
  4. D) Trânsito intestinal com contraste
  5. E) Ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

Pérola Clínica

Dismenorreia secundária progressiva + Útero fixo + Suspeita de endometriose profunda → USG transvaginal com preparo intestinal para lesões intestinais.

Resumo-Chave

A dismenorreia secundária progressiva, com dor que antecede e se estende ao fluxo menstrual, associada a um útero fixo ao toque vaginal, é altamente sugestiva de endometriose, especialmente a profunda. Para avaliar o comprometimento intestinal, o ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o exame mais sensível e de primeira linha.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade. A dismenorreia secundária, que piora progressivamente e se inicia antes da menstruação, é um sintoma chave. O toque vaginal pode revelar achados como útero fixo, nódulos no ligamento uterossacro ou no septo retovaginal, sugerindo endometriose profunda, que frequentemente envolve o intestino. A suspeita de endometriose intestinal é alta em pacientes com sintomas gastrointestinais cíclicos, como disquezia, dor à evacuação e alterações do hábito intestinal durante a menstruação. Para a avaliação do comprometimento intestinal, o ultrassom transvaginal com preparo intestinal (esvaziamento do reto e sigmoide) é considerado o exame de imagem de primeira linha e o mais sensível. Realizado por um examinador experiente, permite identificar e caracterizar nódulos de endometriose infiltrando a parede intestinal, especialmente no reto e sigmoide. Outros exames, como a ressonância magnética pélvica, também são úteis, mas o USG transvaginal com preparo é mais acessível e tem alta acurácia. O tratamento da endometriose intestinal pode ser clínico, com terapia hormonal para suprimir a doença, ou cirúrgico, que envolve a ressecção dos nódulos. A escolha depende da gravidade dos sintomas, extensão da doença e desejo de gravidez da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas sugestivos de endometriose intestinal?

Além da dismenorreia e dor pélvica crônica, sintomas intestinais cíclicos como dor à evacuação (disquezia), constipação, diarreia e sangramento retal durante a menstruação são indicativos.

Por que o ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o exame mais sensível para endometriose intestinal?

O preparo intestinal reduz gases e fezes, melhorando a visibilidade. O USG transvaginal, quando realizado por um especialista, permite uma avaliação detalhada das paredes do reto e sigmoide, detectando nódulos e infiltrações.

Quais são as opções de tratamento para endometriose intestinal?

O tratamento pode ser clínico (hormonal para suprimir o ciclo menstrual e controlar a dor) ou cirúrgico. A cirurgia é indicada para casos de dor refratária, obstrução intestinal ou infertilidade, visando a remoção completa das lesões.

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