Endometriose Profunda: Manejo Cirúrgico e Infertilidade

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente com 30 anos e infertilidade primária, tentando gestar há 5 anos, vem à consulta com queixa de dismenorreia progressiva que melhora com medicação e cólica intestinal no período menstrual. Ao exame de toque vaginal apresenta lesão retrocervical em paramétrio esquerdo, sugestivo de endometriose profunda e na ressonância de pelve presença de endometrioma de 7cm em ovário esquerdo que atinge o ureter do mesmo lado, causando leve estenose deste ureter. Qual a conduta mais adequada a ser tomada inicialmente?

Alternativas

  1. A) Reprodução assistida pelo tempo decorrido de infertilidade.
  2. B) Reprodução assistida, pois pacientes com endometriose profunda não tem chances de gestação natural.
  3. C) Tratamento laparoscópico de endometriose profunda com ressecção dos focos e ooforoplastia à esquerda.
  4. D) Tratamento cirúrgico definitivo (pan histerectomia) pelo tempo de infertilidade e gravidade da doença.

Pérola Clínica

Endometriose profunda com comprometimento ureteral e infertilidade → cirurgia laparoscópica é a conduta inicial para preservar função renal e melhorar fertilidade.

Resumo-Chave

A endometriose profunda, especialmente com comprometimento de órgãos como o ureter, requer tratamento cirúrgico para aliviar sintomas, preservar a função orgânica e otimizar as chances de gestação natural ou por reprodução assistida. A cirurgia laparoscópica é a via preferencial para ressecção dos focos.

Contexto Educacional

A endometriose profunda é uma forma grave da doença caracterizada pela infiltração de tecido endometrial em profundidade (>5mm) nos órgãos pélvicos, como septo retovaginal, ligamentos uterossacros, bexiga e intestino. Afeta cerca de 10-15% das mulheres em idade reprodutiva e é uma causa significativa de dor pélvica crônica e infertilidade. A importância clínica reside na sua capacidade de causar dor debilitante, comprometimento da qualidade de vida e danos a órgãos adjacentes, como o ureter, que pode levar à hidronefrose e perda da função renal. A fisiopatologia envolve a implantação e crescimento de células endometriais fora do útero, sob influência hormonal, resultando em inflamação crônica e formação de aderências e nódulos. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica (dismenorreia progressiva, dispareunia, infertilidade) e exame físico (nódulos no toque vaginal), sendo confirmado por exames de imagem como a ressonância magnética de pelve, que é crucial para mapear a extensão da doença e planejar a cirurgia. A suspeita deve surgir em pacientes com dor pélvica refratária e infertilidade, especialmente com sintomas cíclicos. O tratamento da endometriose profunda é individualizado. Em casos de infertilidade e comprometimento de órgãos, como a estenose ureteral, a cirurgia laparoscópica para ressecção completa dos focos é a conduta mais adequada. O objetivo é remover a doença, aliviar a dor, preservar a função dos órgãos e melhorar as chances de gestação. Após a cirurgia, pode-se considerar a reprodução assistida, se necessário. O prognóstico é variável, mas a cirurgia bem-sucedida pode trazer alívio significativo dos sintomas e melhorar a fertilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da endometriose profunda?

Os sintomas incluem dismenorreia progressiva e intensa, dor pélvica crônica, dispareunia profunda, dor ao evacuar (disquezia) ou urinar (disúria), e sintomas intestinais ou urinários cíclicos, além de infertilidade.

Por que a cirurgia laparoscópica é a conduta inicial para endometriose profunda com estenose ureteral?

A cirurgia laparoscópica permite a ressecção precisa dos focos de endometriose, aliviando a compressão ureteral e prevenindo danos renais irreversíveis. Além disso, melhora a dor e pode aumentar as chances de gestação.

A endometriose profunda sempre causa infertilidade?

Não necessariamente, mas é uma causa comum. A endometriose pode afetar a fertilidade por distorção anatômica, inflamação pélvica, alterações na qualidade oocitária e na receptividade endometrial. O tratamento pode melhorar as chances de concepção.

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