SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021
O diagnóstico de dor pélvica crônica é desafiador e apresenta etiologia multifatorial. No exame de toque vaginal de uma mulher de 23 anos, que se queixa de Dor Pélvica Crônica, identificam-se espessamento em região retrocervical, deslocamento do colo uterino com encurtamento unilateral e diminuição da mobilidade uterina.A principal hipótese diagnóstica, nesse caso, é
Dor pélvica crônica + espessamento retrocervical + colo deslocado + útero hipomóvel → Endometriose profunda.
Os achados ao toque vaginal de espessamento em região retrocervical, deslocamento do colo uterino com encurtamento unilateral e diminuição da mobilidade uterina são altamente sugestivos de endometriose profunda. Essa condição é uma causa comum de dor pélvica crônica e infertilidade, exigindo uma investigação e manejo específicos.
A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição debilitante que afeta milhões de mulheres, com etiologia multifatorial e diagnóstico desafiador. Entre as diversas causas, a endometriose, especialmente a endometriose profunda, destaca-se como uma das mais prevalentes e complexas. A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, e quando as lesões infiltram mais de 5 mm na superfície peritoneal ou envolvem órgãos como intestino, bexiga ou ligamentos uterossacros, é classificada como profunda. O exame físico ginecológico, particularmente o toque vaginal, desempenha um papel fundamental na suspeita diagnóstica da endometriose profunda. Achados como espessamento, nodularidade ou sensibilidade dolorosa nos ligamentos uterossacros, deslocamento ou fixação do colo uterino, e diminuição da mobilidade uterina são sinais altamente sugestivos. Esses achados refletem a presença de implantes endometrióticos e aderências que causam fixação dos órgãos pélvicos. A história clínica de dismenorreia intensa, dispareunia profunda e dor pélvica acíclica reforça a suspeita. O manejo da endometriose profunda é complexo e pode envolver tratamento medicamentoso (hormonal) para controle da dor e cirurgia para excisão das lesões. O diagnóstico precoce, baseado na anamnese detalhada e um exame físico minucioso, é essencial para um tratamento eficaz e para melhorar a qualidade de vida da paciente. A correta interpretação dos sinais ao toque vaginal é uma habilidade clínica valiosa para residentes e ginecologistas.
Os achados clássicos que sugerem endometriose profunda incluem espessamento ou nodularidade em região retrocervical e ligamentos uterossacros, deslocamento ou fixação do colo uterino, e diminuição da mobilidade uterina ao toque vaginal bimanual.
A endometriose profunda causa dor pélvica crônica devido à presença de tecido endometrial fora do útero, que sangra e inflama ciclicamente, formando aderências e nódulos que irritam nervos e órgãos adjacentes, como intestino e bexiga.
Após a suspeita clínica, a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica são os exames de imagem mais eficazes para mapear as lesões de endometriose profunda. O diagnóstico definitivo é histopatológico, obtido por biópsia durante laparoscopia.
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