Endometriose Profunda e Endometrioma: Diagnóstico Clínico

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher 26 anos de idade, atendida na Unidade Básica de Saúde, refere que desde que menstruou a primeira vez aos 13 anos apresenta dores tipo cólica menstrual de forte intensidade, aos 16 anos de idade iniciou vida sexual e passou a usar contraceptivo hormonal oral com melhoras das dores. Devido diminuição da libido e cefaleia optou por parar com o uso do contraceptivo hormonal e está usando coito interrompido há oito meses. Porém as dores voltaram com aumento da intensidade, dificultando atividades laborais, passando a sentir dor à profundidade durante a relação sexual. Ao exame físico ginecológico, no toque vaginal observa-se a presença de útero em Retroversoflexão (RVF). com pouca mobilidade e doloroso com nodulações de consistência endurecida em região do fórnice vaginal posterior. Trouxe resultado de exame de ultrassom pélvico abdominal e endovaginal realizado há dois meses, porém esqueceu o laudo, tendo em mãos somente a imagem ao lado: Qual a sua hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Endometriose Peritoneal Profunda e Endometrioma Ovariano Bilateral.
  2. B) Síndrome do Ovários Policísticos com Microcistos Ovarianos Bilateral.
  3. C) Doença Inflamatória Pélvica com Abcesso Tubo Ovariano Bilateral.
  4. D) Dor Pélvica Aguda com Hidrossalpinge Bilateral.

Pérola Clínica

Dismenorreia + Dispareunia profunda + Útero fixo/doloroso = Endometriose Profunda.

Resumo-Chave

A presença de nódulos endurecidos no fórnice posterior e útero em retroversoflexão com mobilidade reduzida são sinais patognomônicos de endometriose infiltrativa profunda com provável acometimento de ligamentos uterossacros.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença inflamatória estrogênio-dependente definida pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. A forma profunda é a mais agressiva, infiltrando o peritônio em mais de 5mm. O quadro clínico clássico envolve os '6 Ds': Dismenorreia, Dispareunia (profunda), Dor pélvica crônica, Disquezia, Disúria e Dificuldade para engravidar. O diagnóstico padrão-ouro evoluiu do laparoscópio para exames de imagem especializados, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou a ressonância magnética da pelve com protocolo para endometriose. O tratamento deve ser individualizado, combinando supressão hormonal (como progestágenos ou análogos de GnRH) e, em casos de falha clínica ou lesões obstrutivas, cirurgia de excisão completa dos focos.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a endometriose profunda no exame físico?

No exame físico, a endometriose profunda manifesta-se frequentemente por dor à palpação vaginal, útero com mobilidade reduzida ou fixo (geralmente em retroversoflexão devido a aderências), e a presença de nódulos endurecidos e dolorosos no fórnice vaginal posterior ou nos ligamentos uterossacros. Esses achados refletem a infiltração do tecido endometrial além de 5mm de profundidade no peritônio ou órgãos adjacentes.

Qual a relação entre endometrioma e endometriose profunda?

O endometrioma ovariano (cisto de 'chocolate') é frequentemente um marcador de gravidade. Cerca de 90% das pacientes com endometriomas ovarianos apresentam também focos de endometriose profunda em outros locais da pelve. Portanto, a visualização de um endometrioma na ultrassonografia deve sempre motivar a busca ativa por focos infiltrativos profundos.

Por que o útero em retroversoflexão (RVF) é relevante?

Embora o útero em RVF possa ser uma variante anatômica normal, na suspeita de endometriose, um útero fixo nessa posição sugere a presença de aderências firmes no compartimento posterior (fundo de saco de Douglas). A inflamação crônica causa fibrose que 'puxa' e fixa o útero, contribuindo para a dor pélvica crônica e a dispareunia de profundidade.

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