CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Uma mulher de 29 anos, nuligesta, procura atendimento por dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e dor pélvica cíclica há 18 meses. Exame físico revela sensibilidade à palpação dos ligamentos uterossacros, mas sem massas anexiais palpáveis. A paciente realizou ultrassonografia transvaginal no 14º dia do ciclo, com profissional experiente, segundo protocolo IDEA, que não identificou endometrioma ou nódulos profundos evidentes. Ela está muito ansiosa. Qual é a conduta mais adequada nesse caso?
Suspeita clínica de endometriose → Iniciar tratamento empírico (mesmo com exames normais).
O diagnóstico de endometriose é clínico-presuntivo; exames de imagem negativos não excluem a doença, e o tratamento clínico deve ser iniciado para controle de sintomas e qualidade de vida.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica estrogênio-dependente. O diagnóstico definitivo historicamente exigia visualização cirúrgica, mas as diretrizes modernas (como as da ESHRE e FEBRASGO) enfatizam o tratamento clínico precoce. O protocolo IDEA (International Deep Endometriosis Analysis) padroniza a avaliação ultrassonográfica, mas sua acurácia depende do operador e do estágio da doença. A abordagem centrada na paciente prioriza o controle da dor e a preservação da fertilidade, evitando procedimentos invasivos desnecessários quando a resposta clínica é satisfatória.
Não. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética possuem alta sensibilidade para endometriose profunda e endometriomas, mas podem não detectar focos peritoneais superficiais. Portanto, um exame normal em uma paciente com sintomas clássicos (dismenorreia, dispareunia) não afasta o diagnóstico, mantendo-se a indicação de tratamento clínico baseado na suspeita diagnóstica.
Atualmente, a laparoscopia é reservada para casos de falha ao tratamento clínico conservador, presença de endometriomas volumosos (>4-6 cm), obstrução de vias urinárias ou intestinais, ou quando há dúvida diagnóstica importante. O 'gold standard' cirúrgico não deve retardar o início da terapia hormonal e analgésica em pacientes sintomáticas.
O tratamento baseia-se no bloqueio hormonal (anticoncepcionais combinados, progestagênios isolados ou DIU de levonorgestrel) associado a analgésicos e anti-inflamatórios. O objetivo é induzir a amenorreia ou reduzir o fluxo menstrual, diminuindo a resposta inflamatória dos focos ectópicos e melhorando a qualidade de vida da paciente.
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