Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2023
Paciente de 29 anos, G0P0, entra no pronto atendimento pálida, FC 87bpm, relata está no primeiro dia do ciclo menstrual e com dor pélvica tipo cólica menstrual intensa. PA 110x60 mmHg. Relata menarca aos 12 anos, dismenorreia desde os 14 anos, com piora de intensidade nos últimos 5 anos. Não consegue mais controlar a dor com uso de dipirona ou cetoprofeno, necessitando com frequência de medicação mais forte como opioides ou uso de medicação parenteral. Iniciou atividade sexual aos 20 anos, em uso de condon regular. Colpocitologia oncótica negativo para neoplasia em março de 2022. Hemograma realizado na unidade com hemoglobina de 12g/dl, beta-HCG negativo. O clinico evidencia abdome flácido, sem descompressão dolorosa, peristalse presente, sangramento escuro tipo menstrual, Toque bimanual útero em RVF, fixo, anexos impalpáveis, espessamento fibrótico no fundo de saco posterior. O Diagnóstico provável e a conduta mais adequada estão na opção:
Dismenorreia progressiva + útero fixo + espessamento fundo de saco → RM pelve + CHC contínuo (suspeita de endometriose).
Dismenorreia progressiva e intensa, refratária a analgésicos comuns, associada a achados de exame físico como útero fixo e espessamento no fundo de saco posterior, são altamente sugestivos de endometriose pélvica. A ressonância magnética da pelve é o exame de imagem de escolha para avaliar a extensão da doença, e o tratamento inicial frequentemente envolve contraceptivos hormonais combinados contínuos para suprimir a menstruação e a progressão da doença.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Manifesta-se com dismenorreia progressiva e intensa, dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em casos de dor refratária a analgésicos comuns. O diagnóstico da endometriose é clínico e complementado por exames de imagem. O toque bimanual pode revelar achados sugestivos como útero fixo, nódulos ou espessamento no fundo de saco posterior. A ressonância magnética (RM) da pelve é o exame de imagem de escolha, pois oferece excelente detalhamento anatômico para identificar implantes de endometriose, endometriomas e adenomiose, auxiliando no estadiamento e planejamento terapêutico. A ultrassonografia transvaginal também é útil, mas pode ter limitações para lesões profundas. O tratamento da endometriose visa o alívio da dor e a preservação da fertilidade. A primeira linha de tratamento clínico para a dor são os contraceptivos hormonais combinados contínuos, que induzem amenorreia e atrofia do tecido endometrial ectópico. Outras opções incluem progestagênios isolados, análogos de GnRH e cirurgia, que pode ser diagnóstica e terapêutica (videolaparoscopia). A escolha do tratamento é individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, desejo de gravidez e extensão da doença.
A endometriose é sugerida por dismenorreia progressiva e intensa, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia de profundidade, infertilidade e sintomas intestinais ou urinários cíclicos. O exame físico pode revelar útero fixo, nódulos ou espessamento no fundo de saco posterior.
A RM da pelve oferece alta resolução para visualizar implantes de endometriose, especialmente a endometriose profunda, adenomiose e endometriomas ovarianos. Ela é superior à ultrassonografia transvaginal para mapear a extensão da doença e planejar o tratamento.
Os CHCs contínuos são a primeira linha de tratamento clínico para a dor associada à endometriose. Eles induzem amenorreia, suprimindo o crescimento do tecido endometrial ectópico e aliviando a dor, além de prevenir a progressão da doença.
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