IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021
Paciente do sexo feminino, em idade fértil, procura serviço de emergência por apresentar dor abdominal em fossa ilíaca direita, náuseas, distensão abdominal, febrícula, há cerca de três meses, sempre no mesmo período do mês. O profissional de plantão levanta a hipótese de doença de Crohn. Das afecções a seguir, assinale a que apresenta o PRINCIPAL diagnóstico diferencial com a doença de Crohn nessa paciente.
Dor abdominal cíclica em mulher fértil, mimetizando Crohn → Pense em Endometriose, especialmente se houver sintomas GI.
Em mulheres em idade fértil com dor abdominal crônica e cíclica em fossa ilíaca direita, acompanhada de sintomas gastrointestinais e febrícula, a endometriose é um diagnóstico diferencial crucial para a doença de Crohn. A endometriose intestinal pode causar sintomas muito semelhantes, incluindo dor, distensão e alterações do hábito intestinal, devido à inflamação e fibrose.
A dor abdominal em fossa ilíaca direita em mulheres em idade fértil é um desafio diagnóstico, com uma ampla gama de causas que incluem condições gastrointestinais, ginecológicas e urológicas. A doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal crônica, frequentemente afeta o íleo terminal, causando dor abdominal, diarreia, perda de peso e febre, mimetizando quadros agudos como apendicite ou subagudos. No entanto, a presença de um padrão cíclico da dor, que se agrava no período menstrual, é uma pista diagnóstica crucial que aponta para a endometriose. A endometriose é a presença de tecido endometrial fora do útero, que responde aos hormônios ovarianos, causando inflamação e dor. Quando afeta o intestino (endometriose intestinal), pode causar sintomas gastrointestinais como dor abdominal, distensão, alterações do hábito intestinal e até sangramento retal, tornando a diferenciação com a doença de Crohn particularmente difícil. A abordagem diagnóstica deve incluir uma anamnese detalhada sobre o ciclo menstrual e sintomas associados, exame físico completo e exames complementares. Para diferenciar endometriose intestinal de doença de Crohn, são úteis exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética pélvica e, em alguns casos, colonoscopia com biópsias. A biópsia é fundamental para confirmar a doença de Crohn, enquanto a endometriose pode ser sugerida por achados de imagem e, em última instância, confirmada por laparoscopia com biópsia das lesões. O tratamento difere significativamente, sendo essencial um diagnóstico preciso para o manejo adequado.
A endometriose intestinal pode causar dor abdominal crônica, distensão, diarreia, constipação, sangramento retal e dor à evacuação, especialmente durante o período menstrual. Se a lesão estiver no íleo terminal, pode simular a ileíte de Crohn.
O padrão cíclico da dor, que piora no período menstrual, é um forte indicativo de endometriose, pois as lesões endometrióticas respondem às flutuações hormonais. Embora a doença de Crohn possa ter exacerbações, raramente segue um padrão tão estritamente cíclico.
Além da história clínica detalhada, exames como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética pélvica e colonoscopia com biópsias são úteis. Marcadores inflamatórios (PCR, calprotectina fecal) podem estar elevados em ambas, mas a biópsia é crucial para o diagnóstico definitivo de Crohn.
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