SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Mulher, 32 anos, casada, nuligesta, refere cólica menstrual desde a menarca com piora nos últimos anos, associada à dispareunia de profundidade. Refere que seus ciclos menstruais são regulares com intervalo de 28 dias e duração de 5 dias, com fluxo normal. Há 2 anos sem uso de contracepção e com relações sexuais regulares, porém não consegue engravidar. Traz espermograma do esposo normal. Qual principal hipótese diagnóstica?
Dismenorreia progressiva + dispareunia de profundidade + infertilidade = forte suspeita de Endometriose.
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade. A progressão dos sintomas ao longo do tempo é um achado clássico.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Sua importância clínica reside na alta morbidade, causando dor pélvica crônica, dismenorreia incapacitante, dispareunia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida. A fisiopatologia envolve teorias como a menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/hematogênica. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas característicos, e confirmado por exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética, ou laparoscopia para visualização direta e biópsia. A suspeita deve ser alta em mulheres com dor pélvica cíclica ou acíclica que piora progressivamente e/ou dificuldade para engravidar. O tratamento é individualizado, podendo ser clínico (analgésicos, contraceptivos hormonais, análogos de GnRH) para controle da dor e progressão da doença, ou cirúrgico (laparoscopia para excisão das lesões) para casos refratários, infertilidade ou lesões volumosas. O prognóstico varia, mas a doença é crônica e pode ter recorrências, exigindo acompanhamento contínuo.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica não cíclica e infertilidade.
A endometriose pode causar infertilidade por distorção da anatomia pélvica, formação de aderências, inflamação local e alterações na qualidade oocitária e na receptividade endometrial.
Embora ambas causem dismenorreia, a adenomiose geralmente cursa com útero aumentado e amolecido, e menor associação com dispareunia de profundidade e infertilidade tão proeminente quanto na endometriose.
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