PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024
Nuligesta, 27 anos, com queixa de dor pélvica há vários anos, relata aumento progressivo da intensidade da dor, dispareunia profunda e dificuldade para engravidar. Exame de USG Transvaginal evidencia imagem cística em ovário direito, hipoecogênica em "vidro fosco", sem vascularização interna ao color Doppler. Na videolaparoscopia este cisto apresentou conteúdo denso e achocolatado; também foram visualizadas aderências em ambos os anexos, além de algumas lesões nodulares enegrecidas e azuladas no peritônio vesical e parietal. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Dor pélvica crônica + dispareunia + infertilidade + USG cisto 'vidro fosco' + laparoscopia cisto 'achocolatado' e lesões azuladas → Endometriose.
A tríade de dor pélvica crônica, dispareunia profunda e infertilidade, associada a achados de imagem (cisto 'vidro fosco' no ovário) e laparoscópicos (cisto 'achocolatado', lesões azuladas/enegrecidas e aderências), é altamente sugestiva de endometriose, especialmente com endometrioma ovariano.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando milhões de mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A etiologia exata ainda é desconhecida, mas a teoria da menstruação retrógrada é a mais aceita. O diagnóstico da endometriose é frequentemente desafiador e pode levar anos. A suspeita clínica surge da história de dor pélvica cíclica ou crônica, dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e dificuldade para engravidar. O exame físico pode revelar dor à palpação ou nodularidade no fundo de saco. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha, sendo capaz de identificar endometriomas ovarianos, que se apresentam como cistos com conteúdo homogêneo em 'vidro fosco'. Embora a ultrassonografia e a ressonância magnética possam sugerir o diagnóstico, a confirmação definitiva da endometriose é feita pela videolaparoscopia com biópsia das lesões. Durante a cirurgia, as lesões podem ser visualizadas como implantes enegrecidos, azulados, avermelhados ou brancos no peritônio, além de aderências e endometriomas ('cistos de chocolate'). O tratamento é individualizado e pode incluir manejo da dor, terapia hormonal e cirurgia, dependendo da gravidade dos sintomas e do desejo de gravidez.
Os sintomas clássicos incluem dor pélvica crônica, dismenorreia (dor menstrual intensa), dispareunia profunda (dor durante a relação sexual), dor ao evacuar ou urinar (especialmente durante a menstruação) e infertilidade.
O endometrioma ovariano tipicamente aparece como uma imagem cística, unilocular ou multilocular, com conteúdo hipoecogênico homogêneo, descrito como 'vidro fosco' ou 'ground glass', e geralmente sem vascularização interna ao Doppler colorido.
A videolaparoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da endometriose, permitindo a visualização direta das lesões (enegrecidas, azuladas, avermelhadas), aderências e endometriomas, além da biópsia para confirmação histopatológica.
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