Endometriose: Diagnóstico Clínico e por Imagem

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Nuligesta, 27 anos, com queixa de dor pélvica há vários anos, relata aumento progressivo da intensidade da dor, dispareunia profunda e dificuldade para engravidar. Exame de USG Transvaginal evidencia imagem cística em ovário direito, hipoecogênica em "vidro fosco", sem vascularização interna ao color Doppler. Na videolaparoscopia este cisto apresentou conteúdo denso e achocolatado; também foram visualizadas aderências em ambos os anexos, além de algumas lesões nodulares enegrecidas e azuladas no peritônio vesical e parietal. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Doença inflamatória pélvica crônica.
  2. B) Endometriose com endometrioma ovariano.
  3. C) Teratoma imaturo com implantes peritoneais.
  4. D) Câncer de ovário com disseminação peritoneal.

Pérola Clínica

Dor pélvica crônica + dispareunia + infertilidade + USG cisto 'vidro fosco' + laparoscopia cisto 'achocolatado' e lesões azuladas → Endometriose.

Resumo-Chave

A tríade de dor pélvica crônica, dispareunia profunda e infertilidade, associada a achados de imagem (cisto 'vidro fosco' no ovário) e laparoscópicos (cisto 'achocolatado', lesões azuladas/enegrecidas e aderências), é altamente sugestiva de endometriose, especialmente com endometrioma ovariano.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando milhões de mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A etiologia exata ainda é desconhecida, mas a teoria da menstruação retrógrada é a mais aceita. O diagnóstico da endometriose é frequentemente desafiador e pode levar anos. A suspeita clínica surge da história de dor pélvica cíclica ou crônica, dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e dificuldade para engravidar. O exame físico pode revelar dor à palpação ou nodularidade no fundo de saco. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha, sendo capaz de identificar endometriomas ovarianos, que se apresentam como cistos com conteúdo homogêneo em 'vidro fosco'. Embora a ultrassonografia e a ressonância magnética possam sugerir o diagnóstico, a confirmação definitiva da endometriose é feita pela videolaparoscopia com biópsia das lesões. Durante a cirurgia, as lesões podem ser visualizadas como implantes enegrecidos, azulados, avermelhados ou brancos no peritônio, além de aderências e endometriomas ('cistos de chocolate'). O tratamento é individualizado e pode incluir manejo da dor, terapia hormonal e cirurgia, dependendo da gravidade dos sintomas e do desejo de gravidez.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da endometriose?

Os sintomas clássicos incluem dor pélvica crônica, dismenorreia (dor menstrual intensa), dispareunia profunda (dor durante a relação sexual), dor ao evacuar ou urinar (especialmente durante a menstruação) e infertilidade.

Como o endometrioma ovariano se apresenta na ultrassonografia transvaginal?

O endometrioma ovariano tipicamente aparece como uma imagem cística, unilocular ou multilocular, com conteúdo hipoecogênico homogêneo, descrito como 'vidro fosco' ou 'ground glass', e geralmente sem vascularização interna ao Doppler colorido.

Qual o papel da videolaparoscopia no diagnóstico da endometriose?

A videolaparoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da endometriose, permitindo a visualização direta das lesões (enegrecidas, azuladas, avermelhadas), aderências e endometriomas, além da biópsia para confirmação histopatológica.

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