SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 30 anos de idade, nuligesta, parou de usar anticoncepcional hormonal há sete meses para tentar engravidar. Relata aumento da dismenorreia no período, intensidade 8 em 10, que inicia um dia antes e dura os cinco dias da menstruação, aliviada parcialmente com analgésicos comuns, associada a dispareunia. Ao exame físico, tem dor à mobilização do colo uterino, com mobilidade do útero reduzida e espessamento bilateral de ligamentos uterossacros. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A endometriose é uma doença inflamatória benigna, crônica, progesteronadependente, que acomete mulheres em idade reprodutiva.
Endometriose = Doença inflamatória crônica ESTROGÊNIO-dependente (não progesterona).
A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero. Sua progressão é estimulada pelo estrogênio, enquanto as lesões apresentam resistência à progesterona.
A endometriose é uma condição ginecológica complexa que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Definida pela presença de glândulas e estroma endometrial fora da cavidade uterina, ela desencadeia uma resposta inflamatória crônica mediada por citocinas e prostaglandinas. A compreensão de que é uma doença estrogênio-dependente é fundamental para o raciocínio clínico e terapêutico, justificando o uso de análogos de GnRH, inibidores da aromatase e progestagênios. A questão destaca um erro conceitual comum em provas: trocar a dependência hormonal de estrogênio para progesterona.
O estrogênio é o principal hormônio responsável pela proliferação, sobrevivência e resposta inflamatória do tecido endometrial ectópico. Na endometriose, há um estado de hiperestrogenismo local devido à expressão aumentada da enzima aromatase nas próprias lesões, que converte precursores androgênicos em estrogênios. Além disso, as lesões apresentam uma deficiência de receptores de progesterona tipo B, levando a uma resistência à progesterona, o que impede a interrupção do crescimento tecidual e a diferenciação decidual normal.
Os sinais clássicos incluem a dismenorreia severa (frequentemente progressiva), dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica e sintomas cíclicos intestinais ou urinários. Ao exame físico, achados como útero retrovertido e fixo, dor à mobilização do colo uterino e, crucialmente, o espessamento ou presença de nódulos palpáveis nos ligamentos uterossacros durante o toque vaginal/retal são altamente sugestivos de infiltração profunda da doença.
Como a doença é estrogênio-dependente, o tratamento clínico visa criar um ambiente de hipoestrogenismo ou de oposição à ação estrogênica. Os progestagênios (como o dienogeste ou o acetato de medroxiprogesterona) são utilizados para induzir a decidualização e posterior atrofia do tecido endometrial ectópico. Eles ajudam a reduzir a inflamação peritoneal e a controlar os sintomas álgicos, sendo uma das primeiras linhas de tratamento clínico antes de considerar intervenção cirúrgica.
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