Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 28 anos apresenta queixas de dor pélvica crônica, dispareunia e sintomas de depressão. Não há história de patologias ginecológicas conhecidas. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável, levando em consideração a interação entre fatores psicossomáticas e ginecológicos?
Dor pélvica crônica + dispareunia de profundidade + sintomas de humor → suspeitar de endometriose, mesmo com exame físico normal.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica com manifestações sistêmicas. A dor não se limita ao ciclo menstrual e a associação com sintomas depressivos é comum, refletindo o impacto da doença na qualidade de vida e possíveis mecanismos neuroinflamatórios compartilhados.
A endometriose é uma condição ginecológica crônica, estrogênio-dependente, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade, com impacto significativo na qualidade de vida. A fisiopatologia envolve um estado inflamatório crônico local e sistêmico, com produção de citocinas, prostaglandinas e fatores de crescimento que promovem a dor e a progressão da doença. O diagnóstico de suspeição é clínico, baseado na tríade de dismenorreia, dispareunia de profundidade e dor pélvica crônica. Exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve são fundamentais para o estadiamento não invasivo, enquanto a laparoscopia com biópsia confirma o diagnóstico. O tratamento deve ser individualizado, visando o alívio da dor, a preservação da fertilidade e a melhoria da qualidade de vida. As opções incluem manejo clínico com AINEs, terapia hormonal (contraceptivos, progestágenos, análogos de GnRH) para suprimir a atividade da doença, e tratamento cirúrgico conservador (ressecção dos focos) ou definitivo (histerectomia com ou sem ooforectomia) em casos selecionados. A abordagem multidisciplinar, envolvendo ginecologistas, fisioterapeutas e psicólogos, é essencial para o manejo completo da paciente.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia progressiva (cólica menstrual que piora com o tempo), dor pélvica crônica (acíclica), dispareunia de profundidade, dor à evacuação (disquezia) ou micção (disúria) durante o período menstrual e infertilidade.
O tratamento inicial é geralmente empírico e visa suprimir a atividade hormonal. Utilizam-se contraceptivos hormonais combinados de forma contínua ou progestágenos isolados para induzir amenorreia e aliviar os sintomas dolorosos, associados a analgésicos.
A DIP geralmente se apresenta como um quadro agudo com febre, corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino, associado a fatores de risco para ISTs. A endometriose tem um curso crônico, com dor de caráter cíclico ou contínuo, sem os sinais infecciosos agudos.
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