SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 30 anos de idade, nuligesta, parou de usar anticoncepcional hormonal há sete meses para tentar engravidar. Relata aumento da dismenorreia no período, intensidade 8 em 10, que inicia um dia antes e dura os cinco dias da menstruação, aliviada parcialmente com analgésicos comuns, associada a dispareunia. Ao exame físico, tem dor à mobilização do colo uterino, com mobilidade do útero reduzida e espessamento bilateral de ligamentos uterossacros. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Essa paciente é portadora de dor pélvica crônica, de provável causa ginecológica, e o diagnóstico mais previsível é de endometriose.
Dismenorreia progressiva + dispareunia + útero fixo/ligamentos uterossacros espessados = Alta suspeita de Endometriose.
A endometriose deve ser fortemente suspeitada em mulheres jovens com dismenorreia progressiva, dispareunia e achados de exame físico como dor à mobilização do colo, útero fixo e espessamento dos ligamentos uterossacros, especialmente se houver dificuldade para engravidar.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando uma reação inflamatória. Afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade. Sua importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida das pacientes e na necessidade de um diagnóstico precoce e manejo adequado para aliviar os sintomas e preservar a fertilidade. A fisiopatologia mais aceita é a teoria da menstruação retrógrada, onde células endometriais migram pelas tubas uterinas e se implantam em órgãos pélvicos. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de sintomas como dismenorreia progressiva, dispareunia profunda, dor pélvica crônica e infertilidade. O exame físico pode revelar achados sugestivos, como dor à mobilização do colo, útero fixo e espessamento dos ligamentos uterossacros. Exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética, são úteis para mapear as lesões. O tratamento da endometriose é individualizado e visa aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e, se desejado, otimizar a fertilidade. Pode incluir analgésicos, terapia hormonal (para suprimir o crescimento do endométrio ectópico) e cirurgia (para remover as lesões). O prognóstico varia, mas um manejo multidisciplinar é essencial para controlar a doença e suas manifestações.
Os sintomas clássicos da endometriose incluem dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia profunda, dor à evacuação (disquezia) e dor ao urinar (disúria), especialmente durante a menstruação, além de infertilidade.
No exame físico ginecológico, a endometriose pode ser sugerida por dor à mobilização do colo uterino, útero com mobilidade reduzida ou fixo, nódulos ou espessamento nos ligamentos uterossacros, e massas anexiais (endometriomas).
A endometriose pode afetar a fertilidade de diversas maneiras, incluindo distorção da anatomia pélvica, formação de aderências que impedem a captação do óvulo, inflamação local que prejudica a função ovariana e tubária, e alterações na qualidade dos óvulos e na receptividade endometrial.
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