UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Mulher, 27 anos, G0P0, é encaminhada ao serviço de ginecologia do HUAP com queixas de cólicas menstruais intensas que vem aumentando nos últimos dois anos, associada a dispareunia. Casada há cinco anos, nega uso de anticoncepcionais há três anos. Nega comorbidades, uso de medicamentos, cirurgias prévias e alergias. Apresenta ultrassonografia transvaginal e preventivo dos últimos três meses, sem alterações. Sobre a principal hipótese diagnóstica, pode-se afirmar que:
Endometriose: dismenorreia + dispareunia + útero fixo/pouco móvel ao exame físico são achados chave.
A endometriose é uma doença crônica que pode causar dor pélvica, dismenorreia e dispareunia. O exame físico é crucial para a suspeita diagnóstica, revelando achados como útero fixo ou dor à palpação de ligamentos uterossacros e septo retovaginal, que justificam os sintomas da paciente.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. O diagnóstico precoce é crucial para um manejo adequado e para evitar a progressão da doença. A fisiopatologia envolve a teoria da menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/hematogênica, com um forte componente inflamatório e hormonal. O diagnóstico da endometriose é clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico, que podem incluir útero fixo, dor à palpação de ligamentos uterossacros e septo retovaginal, e nódulos. Embora exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica sejam úteis para identificar lesões maiores e endometriomas, a laparoscopia com biópsia ainda é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo. O CA 125 pode estar elevado em casos de endometriose avançada, mas sua sensibilidade e especificidade são limitadas para o diagnóstico inicial. O tratamento da endometriose é individualizado e pode incluir manejo da dor com AINEs e anticoncepcionais hormonais (contínuos), análogos de GnRH para induzir um estado de hipoestrogenismo (com terapia de add-back para reduzir efeitos colaterais), e cirurgia para remoção das lesões. Para pacientes que desejam gestar, a abordagem deve considerar a preservação da fertilidade. A doença é crônica e pode recorrer, exigindo acompanhamento contínuo e manejo multidisciplinar.
Os principais sintomas da endometriose incluem dismenorreia (cólicas menstruais intensas), dispareunia (dor durante a relação sexual), dor pélvica crônica, dor ao evacuar ou urinar durante a menstruação e infertilidade.
O exame físico ginecológico pode revelar achados sugestivos de endometriose, como útero fixo ou com pouca mobilidade, dor à palpação dos ligamentos uterossacros ou do septo retovaginal, e nódulos ou espessamentos nessas regiões, que correlacionam-se com a localização das lesões.
Uma ultrassonografia transvaginal normal não exclui o diagnóstico de endometriose, especialmente em casos de lesões superficiais ou em locais como o peritônio. Exames como a ressonância magnética pélvica ou a videolaparoscopia podem ser necessários para confirmar a doença.
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