HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 28 anos de idade comparece em consulta com queixa de dor abdominal há um ano. Ela relata que neste período tem apresentado episódios de dor abdominal em quadrantes inferiores do abdome, caracterizada como uma pressão, de intensidade moderada (6/10), que se associa a dismenorreia, hipermenorreia e dispareunia profunda. Relata que os sintomas álgicos não têm associação com o ciclo menstrual, ocorrendo com intensidade variável todos os dias do mês. Adicionalmente, apresenta adinamia e constipação, com fezes ressecadas e dor ao evacuar. Nega febre ou outros sintomas. O exame físico geral não teve alterações. Ao exame especular, apresentou dor e hipersensibilidade à manipulação vaginal, sendo vista a lesão registrada na imagem a seguir: Qual é o diagnóstico?
Dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia profunda e lesões azuladas/violáceas na vagina/colo são altamente sugestivas de endometriose.
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando dor cíclica ou crônica, dismenorreia, dispareunia e, em casos de endometriose vaginal, lesões visíveis. A descrição da dor como pressão, associada a sintomas gastrointestinais e a uma lesão visível, reforça o diagnóstico.
A endometriose é uma doença crônica e complexa que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Sua apresentação clínica é variada, mas a dor pélvica crônica é o sintoma mais comum e debilitante, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. É fundamental que residentes estejam aptos a reconhecer os sinais e sintomas para um diagnóstico precoce e manejo adequado. Os sintomas típicos incluem dismenorreia intensa, dispareunia profunda, dor pélvica não cíclica, e sintomas relacionados a órgãos adjacentes, como disúria, hematúria, dor à evacuação e sangramento retal, dependendo da localização dos implantes. A descrição da paciente com dor abdominal em quadrantes inferiores, dismenorreia, hipermenorreia e dispareunia profunda, além de adinamia e constipação, é altamente sugestiva. A presença de uma lesão visível no exame especular, que na imagem seria compatível com um nódulo endometriótico vaginal, fecha o quadro. O diagnóstico de endometriose é clínico, com suporte de exames de imagem (ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética) e, em alguns casos, laparoscopia para confirmação histopatológica. O tratamento visa aliviar a dor, melhorar a fertilidade e prevenir a progressão da doença, podendo incluir analgésicos, terapia hormonal e cirurgia. É crucial um alto índice de suspeita, especialmente em pacientes com dor pélvica crônica refratária e sintomas atípicos.
Os sintomas clássicos da endometriose incluem dor pélvica crônica, dismenorreia (dor menstrual intensa), dispareunia profunda (dor durante a relação sexual), dor ao evacuar ou urinar (especialmente durante a menstruação) e infertilidade.
No exame físico, a endometriose vaginal pode se manifestar como nódulos ou lesões azuladas, violáceas ou avermelhadas, geralmente sensíveis à palpação, localizadas no fórnice posterior, septo retovaginal ou na parede vaginal.
A endometriose pode afetar o intestino, causando sintomas como dor ao evacuar, constipação, diarreia, inchaço e sangramento retal, especialmente se houver implantes endometrióticos no reto ou sigmoide.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo