IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2025
Mulher, 30 anos, casada com homem de 40 anos, procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde da Família pois apesar manterem relações sexuais vaginais 3 vezes por semana sem uso de método contraceptivo há quase dois anos, ainda não engravidaram. Refere ciclos regulares com 28 dias de intervalo e 6 dias de sangramento. Entretanto, com cólica menstrual nos primeiros três dias do ciclo, pior progressivamente. Exame físico: abdome sem alterações; exame especular com vagina trófica, colo epitelizado, conteúdo fisiológico; toque bimanual, com útero intrapélvico, retrovertido, pouco móvel, espessamento doloroso de ligamentos uterossacros bilateralmente, anexos impalpáveis. Espermograma: normal e histerossalpingografia: trompas fixas e com Cotte positivo à esquerda. Sobre este caso clínico marque a opção CORRETA:
Infertilidade + dismenorreia progressiva + dor à palpação de ligamentos uterossacros → Endometriose.
A endometriose é uma causa comum de infertilidade e dor pélvica crônica, caracterizada por tecido endometrial fora do útero. A dismenorreia progressiva e a dor à palpação dos ligamentos uterossacros são achados clínicos sugestivos. A investigação por imagem com USG transvaginal com preparo intestinal ou RM é crucial para o diagnóstico.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A suspeita clínica é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia envolve a teoria da menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/hematogênica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado em sintomas como dismenorreia progressiva, dispareunia e infertilidade, e achados do exame físico, como útero fixo e espessamento dos ligamentos uterossacros. A investigação por imagem com ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética de pelve é crucial para mapear as lesões e planejar o tratamento. O tratamento da endometriose é individualizado e pode incluir manejo da dor com anti-inflamatórios e hormonioterapia (ACO, progestágenos, análogos de GnRH) ou cirurgia para remoção das lesões, especialmente em casos de dor refratária ou infertilidade. O prognóstico varia, mas o manejo multidisciplinar é essencial para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Os principais sintomas incluem dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia profunda, infertilidade e sintomas intestinais ou urinários cíclicos, dependendo da localização das lesões.
O exame físico pode revelar útero fixo e retrovertido, nódulos ou espessamento doloroso dos ligamentos uterossacros, e dor à mobilização do colo, sugerindo a presença de implantes endometrióticos.
O preparo intestinal melhora a visualização das lesões endometrióticas profundas, especialmente as que afetam o septo retovaginal e o intestino, aumentando a acurácia diagnóstica da ultrassonografia.
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