HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023
Mulher, 32 anos de idade, apresenta dor cíclica no período menstrual há 2 anos, sem melhora com analgésicos, anti-inflamatórios e contraceptivos hormonais. É obstipada. Teve cistite bacteriana há 3 meses e trouxe uma ultrassonografia pélvica com descrição de nódulo uterino medindo 25 mm intramural e cisto ovariano a direita com conteúdo hemático medindo 40 mm. A principal causa de dor é:
Dismenorreia refratária + dor cíclica + sintomas GI/urinários cíclicos + cisto ovariano hemático → Endometriose.
A endometriose é a principal causa de dor pélvica crônica e dismenorreia refratária, especialmente quando associada a sintomas cíclicos gastrointestinais ou urinários e achados de imagem como cistos ovarianos hemáticos (endometriomas).
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia severa e infertilidade. A dor é tipicamente cíclica, piorando durante a menstruação, mas pode se tornar contínua em casos avançados. A fisiopatologia envolve a implantação e crescimento de células endometriais ectópicas, que respondem às flutuações hormonais, causando inflamação, sangramento e formação de aderências. A apresentação clínica da endometriose é variada e pode incluir dismenorreia refratária a analgésicos comuns, dor pélvica crônica, dispareunia profunda, e sintomas gastrointestinais (obstipação, diarreia, dor à evacuação) ou urinários (disúria, polaciúria), que frequentemente pioram no período menstrual. A história de cistite bacteriana prévia pode ser um fator de confusão, mas a persistência da dor cíclica sugere outra etiologia. Achados na ultrassonografia pélvica, como cistos ovarianos com conteúdo hemático (endometriomas) ou nódulos intramurais (adenomiose associada), reforçam a suspeita. No caso apresentado, a dor cíclica refratária, a obstipação e o cisto ovariano com conteúdo hemático são achados altamente sugestivos de endometriose. Embora o nódulo uterino intramural possa ser um mioma, a principal causa da dor cíclica e dos sintomas associados é o sangramento focal e a inflamação dos implantes endometrióticos. O manejo da endometriose pode envolver analgésicos, terapia hormonal para suprimir a menstruação e, em casos selecionados, cirurgia para remover os implantes e aderências, visando aliviar a dor e melhorar a fertilidade. Residentes devem ter um alto índice de suspeição para endometriose em mulheres com dor pélvica crônica e sintomas cíclicos.
Os sintomas incluem dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia profunda, dor à evacuação (disquezia) e dor ao urinar (disúria), especialmente durante o período menstrual.
A ultrassonografia pode identificar endometriomas (cistos ovarianos com conteúdo hemático), nódulos de endometriose profunda em septo retovaginal, bexiga ou intestino, e aderências, embora a laparoscopia seja o padrão ouro.
Implantes endometrióticos podem infiltrar o intestino (causando obstipação, diarreia, dor à evacuação) ou a bexiga (causando polaciúria, disúria, dor suprapúbica), com sintomas que pioram ciclicamente.
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