UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Mulher de 32 anos de idade, tentando engravidar há 3 anos, queixa-se de dor pélvica tipo cólica, cíclica, com intensidade progressiva há cerca de 5 anos. A dor ocorre durante a menstruação e não está associada a fatores coito, longos períodos em pé e situação de estresse. Nega: febre, alterações no fluxo menstrual, sintomas urinários e gastrointestinais. Toque bimanual: útero indolor a mobilização, com volume, contorno, superfície e mobilidade normais. Especular: colo e vagina sem lesões, conteúdo vaginal fisiológico, muco cervical cristalino. Dentre as alternativas abaixo, o diagnóstico mais provável é:
Dismenorreia progressiva + Infertilidade + Dor pélvica cíclica com exame normal → Endometriose.
A endometriose deve ser a principal hipótese diagnóstica em mulheres com dor pélvica crônica, dismenorreia progressiva e infertilidade, especialmente quando o exame ginecológico é normal. A dor cíclica, intensificando-se com a menstruação, é um sintoma chave.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, que responde às flutuações hormonais do ciclo menstrual, causando inflamação e dor. Afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e é uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade. A epidemiologia sugere que a condição pode afetar até 10% das mulheres em idade fértil. O quadro clínico típico inclui dismenorreia progressiva (dor menstrual que piora com o tempo), dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia (dor durante o sexo) e sintomas gastrointestinais ou urinários cíclicos. A infertilidade é uma queixa comum, presente em até 30-50% das mulheres com endometriose. O diagnóstico é frequentemente atrasado devido à inespecificidade dos sintomas e à normalidade do exame físico em muitos casos. O tratamento da endometriose pode ser clínico (analgésicos, terapia hormonal para suprimir o ciclo menstrual) ou cirúrgico (laparoscopia para remover as lesões), dependendo da gravidade dos sintomas, desejo de engravidar e localização das lesões. Residentes devem estar atentos à tríade clássica de dor pélvica cíclica progressiva, infertilidade e exame físico normal para suspeitar precocemente da doença e encaminhar para investigação adequada.
Os sintomas mais comuns incluem dor pélvica crônica, dismenorreia (dor menstrual) progressiva e intensa, dispareunia (dor durante a relação sexual), dor ao evacuar ou urinar (especialmente durante a menstruação) e infertilidade.
O diagnóstico definitivo de endometriose é feito por laparoscopia com biópsia das lesões. No entanto, a suspeita clínica é forte com base nos sintomas e pode ser apoiada por exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética.
A endometriose pode causar infertilidade por diversos mecanismos, incluindo distorção da anatomia pélvica, formação de aderências que obstruem as tubas uterinas, inflamação pélvica que afeta a função ovariana e tubária, e alterações na qualidade dos óvulos ou no ambiente uterino.
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