UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023
A endometriose é uma doença ginecológica conhecida desde o século XVII e descrita detalhadamente pela primeira vez em 1860 por Von Rokitansky. Nos dias atuais, pode ser considerada um problema de saúde pública, tanto por seu impacto negativo na saúde física e psicológica da mulher quanto por questões socioeconômicas, visto os altos custos com diagnóstico e tratamento. Diversas teorias têm sido aventadas para explicar a sua fisiopatologia. Explique 3 teorias atuais para esta doença.
Endometriose = tecido endometrial extrauterino → inflamação crônica e dor dependente de estrogênio.
A gênese da endometriose é multifatorial, envolvendo a implantação de células viáveis via refluxo tubário, transformação de células peritoneais e transporte vascular de fragmentos endometriais.
A endometriose é uma condição inflamatória estrogênio-dependente caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial fora da cavidade uterina. Sua complexidade reside no fato de que nenhuma teoria isolada explica todas as suas manifestações clínicas. Além das teorias clássicas, estudos modernos enfatizam o papel da epigenética, da resistência à progesterona e da neuroangiogênese na progressão das lesões. Na prática clínica e em avaliações acadêmicas, é fundamental compreender que a doença resulta de uma interação entre fatores genéticos, hormonais e imunológicos. A falha na apoptose celular e a sobrevivência de células em ambiente ectópico são marcos da patogênese, levando a quadros de dor pélvica crônica, dismenorreia severa e infertilidade, impactando severamente a qualidade de vida da paciente.
A Teoria de Sampson, ou Teoria da Menstruação Retrógrada, é a mais aceita e propõe que fragmentos de endométrio viáveis fluem através das tubas uterinas para a cavidade peritoneal durante a menstruação. Uma vez na cavidade, essas células se implantariam no peritônio e órgãos pélvicos, proliferando sob estímulo estrogênico. No entanto, para que a doença ocorra, é necessário que existam falhas nos mecanismos de depuração imunológica (macrófagos e células NK) que normalmente eliminariam esses debris celulares.
A Teoria da Metaplasia Celômica sugere que células do epitélio germinativo do peritônio ou do ovário, que possuem a mesma origem embriológica (epitélio celômico), podem sofrer uma diferenciação ou transformação em tecido endometrial. Essa transformação seria desencadeada por fatores hormonais, inflamatórios ou irritativos locais. Esta teoria é frequentemente utilizada para explicar casos raros de endometriose em mulheres pré-púberes ou em locais onde a menstruação retrógrada dificilmente alcançaria.
Esta teoria propõe que células endometriais podem ser transportadas para locais distantes através dos vasos linfáticos ou da corrente sanguínea, de forma análoga à disseminação metastática de neoplasias. Isso explicaria a ocorrência de focos de endometriose em órgãos extra-pélvicos, como pulmões, pleura, cérebro ou extremidades. É uma teoria complementar importante para entender a apresentação sistêmica da doença que não pode ser explicada apenas por mecanismos locais de refluxo ou metaplasia.
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