Endometriose: Fisiopatologia e Teoria da Menstruação Retrógrada

UFAM/HUGV - Hospital Universitário Getúlio Vargas - Manaus (AM) — Prova 2015

Enunciado

A endometriose foi primeiro descrita no século XIX por Von Rokitansky, sendo uma patologia ginecológica muito encontrada na prática clínica. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Não há evidências de um padrão hereditário familiar para a endometriose.
  2. B) Uma das teorias a respeito da endometriose propõe a menstruação retrógrada através das trompas de Fálopio para a cavidade peritoneal.
  3. C) A endometriose pode se desenvolver apenas em alguns sítios da pelve, não podendo ocorrer em outras superfícies peritoniais extrapélvicas.
  4. D) A dispareunia associada à endometriose está mais associada ao envolvimento ovariano e menos associada ao acometimento do septo retovaginal e do ligamento uterossacro.

Pérola Clínica

Endometriose → Teoria mais aceita é menstruação retrógrada via trompas de Falópio.

Resumo-Chave

A teoria da menstruação retrógrada, proposta por Sampson, é a mais aceita para explicar a endometriose, onde células endometriais viáveis são transportadas pelas trompas para a cavidade peritoneal, implantando-se e crescendo fora do útero. Embora haja outras teorias, esta é a base para muitos dos achados clínicos.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, que responde aos estímulos hormonais cíclicos, causando inflamação, dor e, por vezes, infertilidade. É uma condição prevalente, afetando milhões de mulheres em idade reprodutiva, com um impacto significativo na qualidade de vida devido à dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e sintomas intestinais ou urinários. A fisiopatologia da endometriose é complexa e multifatorial, com várias teorias propostas. A mais amplamente aceita é a teoria da menstruação retrógrada, ou teoria de Sampson, que sugere que durante a menstruação, células endometriais viáveis são transportadas através das trompas de Falópio para a cavidade peritoneal, onde se implantam e proliferam. Outras teorias incluem a metaplasia celômica, a disseminação linfática ou hematogênica, e fatores genéticos e imunológicos que predispõem algumas mulheres à doença. Para o residente, é crucial entender que a endometriose pode se manifestar em diversos locais, não se limitando à pelve, podendo ocorrer em sítios extrapélvicos. A dispareunia profunda é um sintoma comum e está mais associada ao envolvimento de estruturas como o septo retovaginal e os ligamentos uterossacros, que são ricos em inervação, do que apenas ao envolvimento ovariano. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para aliviar os sintomas e preservar a fertilidade.

Perguntas Frequentes

Qual a teoria mais aceita para a origem da endometriose?

A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada (Teoria de Sampson), que postula que fragmentos de endométrio viáveis são transportados pelas trompas de Falópio para a cavidade peritoneal durante a menstruação, onde se implantam e crescem.

A endometriose pode ocorrer fora da pelve?

Sim, embora a pelve seja o local mais comum, a endometriose pode ocorrer em sítios extrapélvicos, como no diafragma, pulmões, intestino e, mais raramente, em locais distantes como o cérebro, através de disseminação linfática ou hematogênica.

Como a endometriose causa dispareunia?

A dispareunia profunda associada à endometriose é frequentemente causada pelo envolvimento do septo retovaginal, ligamentos uterossacros e outras estruturas pélvicas profundas, que são ricas em inervação e sofrem inflamação e fibrose.

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