PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Mulher de 32 anos, nuligesta, comparece á consulta na UBS queixando-se de dor pélvica moderada há 10 meses, com piora durante o período de fluxo menstrual. Relata também dispareunia, nega febre ou corrimento vaginal. Trouxe ultrassonografia transvaginal realizada há 15 dias com imagem cística em topografia de anexo esquerdo, de conteúdo homogêneo, contornos regulares e média captação ecogênica, com maior diâmetro medindo 25mm. Dentre as alternativas abaixo, assinale a conduta MAIS ADEQUADA.
Dor pélvica crônica + dispareunia + cisto anexial homogêneo = suspeita de endometriose/endometrioma → iniciar contraceptivo hormonal.
A paciente apresenta sintomas clássicos de endometriose (dor pélvica crônica, dispareunia, piora cíclica) e um cisto anexial sugestivo de endometrioma (conteúdo homogêneo, média captação ecogênica). A conduta inicial mais adequada é o tratamento clínico com contraceptivos hormonais combinados, visando suprimir a ovulação e reduzir a atividade estrogênica, aliviando os sintomas e controlando a progressão da doença.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas clássicos incluem dor pélvica crônica, dismenorreia intensa, dispareunia profunda e, em alguns casos, infertilidade. A dor pélvica que piora durante o período menstrual e a dispareunia são altamente sugestivas. A ultrassonografia transvaginal pode identificar endometriomas (cistos ovarianos de endometriose), que tipicamente se apresentam como cistos com conteúdo homogêneo, ecogênico, e contornos regulares, como descrito no enunciado. O diagnóstico da endometriose é primariamente clínico, baseado nos sintomas e achados de imagem. A laparoscopia com biópsia é o padrão-ouro para confirmação, mas não é necessária para iniciar o tratamento em casos com forte suspeita clínica e achados de imagem compatíveis. O objetivo do tratamento é aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e, se desejado, preservar a fertilidade. A conduta inicial mais adequada para a endometriose sintomática é o tratamento clínico, sendo os contraceptivos hormonais combinados (CHC) uma das primeiras linhas. Eles atuam suprimindo o crescimento do tecido endometrial ectópico ao induzir um estado de pseudo-gravidez ou pseudo-menopausa, reduzindo a produção de estrogênio e, consequentemente, a inflamação e a dor. Outras opções incluem progestágenos isolados e análogos de GnRH. A cirurgia é reservada para casos refratários ao tratamento clínico, endometriomas grandes ou com risco de torção, ou quando a infertilidade é a principal queixa.
Os sintomas mais comuns incluem dor pélvica crônica, dismenorreia intensa, dispareunia profunda, dor ao evacuar ou urinar (cíclica), e infertilidade. A intensidade dos sintomas não se correlaciona diretamente com a extensão da doença.
Os contraceptivos hormonais combinados suprimem a ovulação e induzem uma atrofia do endométrio ectópico, reduzindo a produção de estrogênio e progesterona endógenos, o que leva à diminuição da dor e da progressão das lesões.
A cirurgia é indicada para pacientes com dor refratária ao tratamento clínico, infertilidade associada à endometriose (em casos selecionados), endometriomas grandes ou sintomáticos, ou quando há suspeita de malignidade.
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