UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
PAS, 25 anos, menarca aos 12 anos, nuligesta, vem em consulta ambulatorial com queixa de dismenorreia progressiva de forte intensidade com duração de 05 dias, com piora importante da qualidade de vida, ficando acamada, sendo necessário medicação endovenosa no primeiro e segundo dia do ciclo, devido à intensidade da dor. Refere associada dispareunia de profundidade, evitando atividade sexual devido à dor. Relata que já consultou com três ginecologistas, sendo realizados ultrassonografias e exames de rotinas sempre todos normais, recebendo como diagnóstico dismenorreia primária. Diante do quadro, NÃO é correto afirmar:
Dismenorreia progressiva + dispareunia de profundidade + exames normais = forte suspeita de endometriose, exige investigação aprofundada.
A dismenorreia progressiva e a dispareunia de profundidade, especialmente em uma paciente com exames de rotina normais e diagnóstico prévio de dismenorreia primária, são altamente sugestivas de endometriose. O diagnóstico definitivo requer exames de imagem específicos (USG com preparo intestinal ou RM) e, em alguns casos, laparoscopia, não podendo ser afirmado apenas pela clínica.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, induzindo uma reação inflamatória crônica. Afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia secundária progressiva, dispareunia de profundidade e infertilidade. A história clínica de dismenorreia que não responde a tratamentos convencionais e a presença de dispareunia são marcadores importantes para a suspeita. A fisiopatologia mais aceita é a teoria da menstruação retrógrada, onde células endometriais se implantam em órgãos pélvicos. O diagnóstico de endometriose é desafiador, pois os exames de rotina (como ultrassonografia pélvica simples) frequentemente são normais, especialmente em casos de endometriose superficial. Por isso, a investigação deve incluir exames de imagem especializados, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, que permite o mapeamento detalhado dos focos de endometriose profunda, e a ressonância magnética pélvica, que oferece excelente resolução para identificar lesões. A laparoscopia com biópsia ainda é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo. O tratamento da endometriose é individualizado e pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico visa o alívio da dor e a supressão do crescimento dos implantes, utilizando analgésicos, anti-inflamatórios e terapias hormonais (contraceptivos orais combinados, progestágenos, análogos de GnRH). O tratamento cirúrgico, geralmente por laparoscopia, visa a excisão ou ablação dos implantes, sendo indicado para casos de dor refratária, infertilidade ou lesões volumosas. É fundamental que o tratamento seja instituído após um diagnóstico preciso para garantir a melhor abordagem terapêutica.
Sintomas como dismenorreia progressiva e de forte intensidade, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia de profundidade, dor à evacuação ou micção cíclica, infertilidade e sangramento uterino anormal são altamente sugestivos de endometriose.
Após a suspeita clínica, os exames de imagem mais indicados são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal (para mapeamento de focos) e a ressonância magnética pélvica. A laparoscopia com biópsia ainda é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo.
Embora a clínica seja muito sugestiva, a endometriose é uma doença que requer a visualização direta dos implantes endometrióticos ou sua identificação por exames de imagem específicos. Outras condições podem mimetizar seus sintomas, tornando a confirmação diagnóstica essencial para um tratamento adequado.
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