Endometriose: Diagnóstico em Casos de Infertilidade e Dor

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 34 anos, nuligesta, vem acompanhada do marido para consulta. Relatam dificuldade para engravidar há 2 anos, a despeito de manterem relações sexuais regulares sem anticoncepção. Refere dismenorreia intensa desde a menarca, e que, no último ano, evoluiu com disquezia na fase menstrual. Nega cirurgias prévias. A principal hipótese diagnóstica para o quadro é:

Alternativas

  1. A) Teratoma ovariano
  2. B) Leiomioma de grande volume com sintomas compressivos
  3. C) Endometriose
  4. D) Cisto hemorrágico em ovário
  5. E) Doença Inflamatória Pélvica

Pérola Clínica

Dismenorreia intensa + infertilidade + disquezia menstrual = forte suspeita de endometriose.

Resumo-Chave

A endometriose é uma condição caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero, causando dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade. A disquezia menstrual é um sintoma chave de endometriose intestinal, reforçando a hipótese diagnóstica.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica e inflamatória caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia severa e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A epidemiologia da endometriose é complexa, e o diagnóstico muitas vezes é tardio devido à inespecificidade dos sintomas e à normalidade do exame físico em muitos casos. A fisiopatologia envolve a teoria da menstruação retrógrada, onde células endometriais se implantam em locais ectópicos, proliferam e respondem aos hormônios ovarianos, causando sangramento cíclico e inflamação. A apresentação clínica típica inclui dismenorreia intensa e progressiva desde a menarca, dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade. Sintomas como disquezia (dor ao evacuar) ou disúria (dor ao urinar) durante o período menstrual sugerem envolvimento intestinal ou vesical, respectivamente, e são fortes indicadores de endometriose profunda. O tratamento da endometriose é individualizado e pode incluir manejo da dor (analgésicos, anti-inflamatórios), terapia hormonal para suprimir o crescimento dos implantes (ACO, progestágenos, análogos de GnRH) e cirurgia para remover as lesões, especialmente em casos de dor refratária, infertilidade ou endometriomas grandes. O prognóstico varia, mas o manejo adequado pode melhorar a qualidade de vida e as chances de gravidez.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da endometriose?

Os sintomas clássicos incluem dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante a relação sexual), infertilidade e, dependendo da localização dos implantes, sintomas urinários ou intestinais cíclicos, como disquezia ou disúria menstrual.

Como a endometriose pode causar infertilidade?

A endometriose pode causar infertilidade por diversos mecanismos, incluindo distorção da anatomia pélvica (aderências), inflamação local que afeta a função ovariana e tubária, e alterações na qualidade dos óvulos e na receptividade endometrial.

Qual o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo de endometriose?

O padrão-ouro para o diagnóstico definitivo de endometriose é a laparoscopia com biópsia e confirmação histopatológica dos implantes endometrióticos. Exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética podem sugerir o diagnóstico e mapear lesões.

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