INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma adolescente com 17 anos de idade comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde com queixa de dor incapacitante relacionada ao sangramento menstrual. Refere que o problema se iniciou há 2 anos, tendo-se agravado os sintomas com o tempo. Relata que a menarca ocorreu aos 11 anos, que é nulípara e que iniciou vida sexual há 1 ano. Ela apresenta dispareunia, está sem comorbidades e deseja orientação quanto a método contraceptivo. Diante do quadro clínico apresentado, quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica, o exame complementar a ser solicitado e o método contraceptivo indicado?
Adolescente com dismenorreia incapacitante progressiva + dispareunia → suspeitar endometriose; USG transvaginal e contraceptivo hormonal contínuo.
Em adolescentes com dismenorreia severa e progressiva, que não responde a analgésicos comuns, e com dispareunia, a endometriose deve ser fortemente considerada. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial de escolha, e o tratamento hormonal contínuo é eficaz para controle da dor e progressão da doença.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e podendo iniciar na adolescência. A dor pélvica crônica, dismenorreia incapacitante e dispareunia são sintomas clássicos que impactam significativamente a qualidade de vida. A suspeita clínica é fundamental, especialmente quando os sintomas são progressivos e não respondem a tratamentos convencionais. O diagnóstico de endometriose é frequentemente tardio, mas a suspeita em adolescentes com sintomas persistentes é crucial. A ultrassonografia transvaginal é o exame complementar inicial de escolha, podendo identificar endometriomas ou sinais de endometriose profunda. Embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico (laparoscopia), o tratamento empírico pode ser iniciado com base na clínica e exames de imagem. O tratamento visa aliviar a dor e prevenir a progressão da doença. Métodos contraceptivos hormonais contínuos, que induzem amenorreia, são a primeira linha terapêutica, pois suprimem o crescimento do tecido endometrial ectópico. A escolha do método deve considerar a idade da paciente, desejo de contracepção e tolerância aos efeitos colaterais.
Os sintomas incluem dismenorreia severa e progressiva que não melhora com analgésicos, dor pélvica crônica, dispareunia, sintomas gastrointestinais cíclicos e, em alguns casos, infertilidade futura.
A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha para identificar endometriomas ovarianos e, em mãos experientes, pode detectar focos de endometriose profunda, embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico.
O tratamento hormonal contínuo (ex: pílulas combinadas, progestágenos) visa suprimir a menstruação e, consequentemente, o crescimento do tecido endometrial ectópico, aliviando a dor e retardando a progressão da doença.
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