UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
Paciente, 30 anos, história de infertilidade primária, tentando engravidar há 3 anos. Queixa-se de dor pélvica crônica, com dismenorreia progressiva. Tem ciclos regulares. Ao exame físico: útero com retroversão fixa e doloroso à mobilização, e região de fórnice posterior com nódulos dolorosos. Tem uma histerossalpingografia com laudo normal. Investigação masculina normal. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Endometriose: dor pélvica crônica, dismenorreia progressiva, infertilidade, útero fixo/nódulos → USG TV com preparo intestinal.
A endometriose é uma hipótese forte em pacientes com infertilidade, dor pélvica crônica e achados de exame físico sugestivos como útero fixo e nódulos no fórnice posterior. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é o método de imagem de primeira linha para avaliar a extensão da doença, especialmente a profunda, antes de considerar procedimentos invasivos.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para minimizar as complicações e melhorar o prognóstico reprodutivo e sintomático. A fisiopatologia da endometriose é complexa e multifatorial, envolvendo a teoria da menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/hematogênica. A suspeita diagnóstica é clínica, baseada em sintomas como dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, associados a achados do exame físico como útero fixo e nódulos dolorosos. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é o exame de imagem de escolha para o mapeamento da doença, com alta sensibilidade e especificidade para lesões profundas. O tratamento da endometriose pode ser clínico (analgésicos, terapia hormonal) ou cirúrgico, dependendo da gravidade dos sintomas, localização das lesões e desejo reprodutivo da paciente. A videolaparoscopia é utilizada tanto para diagnóstico quanto para tratamento cirúrgico, com excisão das lesões. O acompanhamento é essencial, pois a doença é crônica e pode recorrer. Para residentes, é crucial dominar a propedêutica e as opções terapêuticas para oferecer o melhor cuidado a essas pacientes.
Os principais sinais e sintomas da endometriose incluem dor pélvica crônica, dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade, dor à evacuação ou micção (cíclica), e infertilidade. O exame físico pode revelar útero fixo, nódulos dolorosos no fórnice posterior ou ligamentos uterossacros.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é crucial para o diagnóstico não invasivo da endometriose, especialmente a profunda. Ela permite identificar nódulos, cistos endometrióticos (endometriomas), e avaliar o comprometimento de órgãos como intestino e bexiga, direcionando a conduta terapêutica.
A videolaparoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da endometriose, permitindo visualização direta e biópsia das lesões. É indicada quando há forte suspeita clínica e exames de imagem inconclusivos, ou quando há necessidade de tratamento cirúrgico concomitante para dor ou infertilidade.
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