CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Em qual situação pode ocasionar tanta obstrução intrínseca e extrínseca do ureter nas mulheres?
Endometriose = causa de obstrução ureteral intrínseca (invasão) e extrínseca (fibrose).
A endometriose profunda pode acometer o trato urinário, causando obstrução ureteral tanto por compressão externa (fibrose) quanto por infiltração direta da parede (intrínseca).
A endometriose do trato urinário afeta aproximadamente 1-6% das mulheres com endometriose pélvica, sendo a bexiga o local mais comum, seguida pelo ureter. O acometimento ureteral é uma condição grave devido ao risco de exclusão renal funcional sem sintomas exuberantes. O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica em mulheres com dor pélvica crônica e achados em exames de imagem especializados, como o mapeamento de endometriose por ultrassom ou ressonância magnética. O tratamento é predominantemente cirúrgico nos casos de obstrução comprovada. A ureterólise (liberação do ureter da fibrose) é indicada para casos extrínsecos leves, enquanto a ressecção ureteral é necessária em casos de invasão intrínseca ou fibrose densa que não permite a descompressão. O acompanhamento pós-operatório com exames de imagem é essencial para garantir a patência da via urinária.
A obstrução extrínseca é a forma mais comum de acometimento ureteral pela endometriose (cerca de 80% dos casos). Ela ocorre devido ao processo inflamatório crônico e fibrose retroperitoneal induzidos pelos focos de endometriose nos ligamentos uterossacros ou nos paramétrios. Esse tecido fibrótico 'aprisiona' o ureter, comprimindo-o externamente e impedindo o fluxo urinário normal, muitas vezes de forma progressiva e silenciosa.
A obstrução intrínseca ocorre quando o tecido endometrial infiltra diretamente a camada muscular ou a mucosa do ureter. Isso provoca uma reação inflamatória local, hiperplasia da musculatura lisa e, eventualmente, protrusão de nódulos para o lúmen ureteral. É menos comum que a extrínseca, mas exige frequentemente ressecção segmentar do ureter com reimplante (ureteroneocistostomia) ou anastomose término-terminal, pois o tratamento hormonal isolado raramente reverte a lesão estrutural.
O grande perigo da endometriose ureteral é que ela é frequentemente assintomática até estágios avançados (obstrução silenciosa). Quando presentes, os sintomas podem incluir dor lombar cíclica, disúria, hematúria (mais rara e associada a lesões intrínsecas) ou infecções urinárias de repetição. Devido ao risco de hidronefrose e perda definitiva da função renal, pacientes com endometriose profunda retroperitoneal devem sempre ser rastreadas com exames de imagem (USG de rins e vias urinárias ou RM).
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