USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Paciente de 29 anos, nuligesta, procura atendimento médico porque deseja engravidar. Casada há 3 anos, com atividade sexual regular há 2 anos sem uso de métodos contraceptivos. Relata 3 relações sexuais por semana no primeiro ano de tentativa e cerca de 1 vez por semana nos últimos 12 meses. Ciclos com intervalos de 28 a 32 dias, 5 a 8 dias de duração e volume normal. Relata dismenorreia, de intensidade progressiva, há cerca de 18 meses, associada a dispareunia de profundidade há 1 ano. Nega queixas urinárias ou digestivas. Última menstruação há 8 dias. Fez uso de contraceptivo oral combinado dos 14 aos 27 anos. Esposo com 32 anos, apresenta bom estado de saúde e tem um filho de cinco anos de outro relacionamento.Exame físico: PA=120x80mmHg; FC=72bpm; Peso=61Kg; Altura=1,65m; Abdome indolor, sem massas palpáveis. Exame ginecológico com normotrofismo genital; ao toque bimanual, presença de dor à palpação de parede vaginal útero em anteversoflexão de tamanho normal.Exames de investigação básica não evidenciaram anormalidadesAssinale a alternativa que representa a melhor conduta.
Infertilidade + dismenorreia progressiva + dispareunia profunda → suspeitar endometriose. Videolaparoscopia = padrão-ouro diagnóstico.
A paciente apresenta um quadro clássico de endometriose, caracterizado por infertilidade primária, dismenorreia progressiva e dispareunia de profundidade. Diante de exames básicos normais, a videolaparoscopia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha para confirmar a doença e tratar as lesões.
A infertilidade é definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares e sem uso de contraceptivos em mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses em mulheres com 35 anos ou mais. A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina, afetando cerca de 30-50% das mulheres inférteis. É caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, levando a um processo inflamatório crônico que pode distorcer a anatomia pélvica e comprometer a função ovariana e tubária. O diagnóstico de endometriose é frequentemente desafiador, baseando-se em uma combinação de sintomas clínicos e achados de exame físico. A tríade clássica de dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade e infertilidade deve levantar forte suspeita. Embora exames de imagem como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética possam sugerir a presença de endometriomas ou lesões profundas, o diagnóstico definitivo é histopatológico, obtido por biópsia durante a videolaparoscopia. Este procedimento não só confirma a doença, mas também permite estadiá-la e tratar as lesões. Para residentes, é crucial reconhecer o perfil clínico da endometriose e entender que, diante de uma forte suspeita e exames básicos normais, a videolaparoscopia é a conduta mais apropriada. Ela oferece a oportunidade de diagnóstico preciso e tratamento cirúrgico, que pode restaurar a anatomia pélvica, remover focos de endometriose e, consequentemente, melhorar as chances de concepção. O manejo da endometriose e infertilidade requer uma abordagem multidisciplinar e individualizada.
Os sintomas clássicos que sugerem endometriose em pacientes com infertilidade incluem dismenorreia progressiva (dor menstrual que piora com o tempo), dispareunia de profundidade (dor durante a relação sexual profunda) e dor pélvica crônica, além da própria dificuldade em engravidar.
A videolaparoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da endometriose, pois permite a visualização direta das lesões e a coleta de biópsias. Além disso, no mesmo procedimento, é possível realizar a ressecção ou ablação das lesões, o que pode melhorar a fertilidade e aliviar os sintomas.
A investigação inicial da infertilidade feminina inclui a avaliação da ovulação (dosagens hormonais, ultrassonografia seriada), permeabilidade tubária (histerossalpingografia) e reserva ovariana. Exames de imagem como ultrassonografia pélvica também são realizados para buscar alterações anatômicas.
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