CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021
Paciente 16 anos foi ao ginecologista com queixa de dor pélvica crônica, alterações intestinais cíclicas (disquezia) e alterações urinárias cíclicas (disúria no período menstrual). O exame físico não evidenciou alterações significativas.Qual a conduta adequada?
Dor pélvica crônica + sintomas cíclicos intestinais/urinários → suspeitar endometriose, iniciar tratamento clínico mesmo com exames normais.
A tríade de dor pélvica crônica, disquezia cíclica e disúria cíclica em uma adolescente é altamente sugestiva de endometriose, mesmo com exame físico normal. Nesses casos, a propedêutica de imagem pode ser normal, mas não exclui a doença. O tratamento clínico empírico é uma conduta inicial adequada para aliviar os sintomas e evitar a progressão.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e uma parcela significativa de adolescentes com dor pélvica crônica. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo teorias como a menstruação retrógrada, metaplasia celômica e disseminação linfática/hematogênica. O diagnóstico precoce é desafiador, pois os sintomas podem ser inespecíficos e o exame físico frequentemente é normal. A suspeita clínica de endometriose deve ser alta em pacientes com dor pélvica crônica, dismenorreia incapacitante e sintomas cíclicos relacionados a órgãos adjacentes, como disquezia e disúria. Embora exames de imagem como ultrassonografia com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve sejam úteis para identificar lesões maiores, um resultado normal não exclui a doença, especialmente em estágios iniciais ou com lesões superficiais. A conduta inicial em casos de forte suspeita clínica, mesmo com exames de imagem normais, é o tratamento clínico empírico. Este geralmente envolve analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e terapia hormonal (contraceptivos orais combinados, progestagênios) para suprimir a ovulação e o crescimento do tecido endometrial ectópico. A videolaparoscopia, embora seja o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e tratamento cirúrgico, é reservada para casos refratários ao tratamento clínico ou quando há necessidade de confirmação histopatológica ou remoção de lesões específicas.
Os sintomas clássicos incluem dor pélvica crônica, dismenorreia severa e progressiva, dispareunia, infertilidade, e sintomas cíclicos gastrointestinais (disquezia, diarreia/constipação) ou urinários (disúria, hematúria).
A endometriose pode ser microscopicamente presente ou em estágios iniciais, não sendo detectável por exames de imagem convencionais. O tratamento clínico empírico com anti-inflamatórios e terapia hormonal pode aliviar os sintomas e retardar a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida da paciente.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve são exames de imagem importantes para detectar lesões maiores de endometriose, como endometriomas ovarianos ou endometriose profunda. No entanto, sua sensibilidade para lesões pequenas ou superficiais pode ser limitada.
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