Endometriose: Manejo Clínico da Dor Pélvica e Dismenorreia

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 25 anos, solteira, procura o consultório médico com queixa de dismenorreia progressiva de longa data e atualmente dor pélvica frequente, mesmo fora do período menstrual. Refere atividade sexual regular com uso de método de barreira, embora venha apresentando dispareunia profunda recorrente há 6 meses. Ao exame físico, útero em RVF fixa, volume normal e anexos não identificados. CA-125:75. A Ultrassonografia transvaginal revelou pequenos cistos anexiais bilaterais de 2,1 e 1,8cm de conteúdo espesso. Diante da suspeita de endometriose, assinale qual deverá ser a melhor conduta para a paciente em questão:

Alternativas

  1. A) Tratamento com análogos de GnRH por 6 meses, seguido de videolaparoscopia.
  2. B) Tratamento vídeo-laparoscópico para resolução dos endometriomas e possíveis outros focos existentes.
  3. C) Tratamento clínico com uso de anticoncepcional oral sem pausas ou uso de progestágeno contínuo para instituir amenorreia.
  4. D) Sugerir que a paciente faça congelamento de óvulos agora, caso não queira engravidar, já que a endometriose compromete invariavelmente a fertilidade.
  5. E) Não é possível propor tratamento sem antes a confirmação diagnóstica por ressonância magnética da pelve.

Pérola Clínica

Endometriose com dor pélvica e sem desejo gestacional → Tratamento clínico com progestágeno contínuo ou ACO sem pausas para amenorreia.

Resumo-Chave

A endometriose é uma doença estrogênio-dependente. O tratamento clínico visa suprimir a função ovariana e induzir amenorreia, reduzindo o estímulo estrogênico aos focos de endometriose, o que alivia a dor. Anticoncepcionais orais combinados contínuos ou progestágenos isolados contínuos são as opções de primeira linha.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Sua etiologia é multifatorial, com a teoria da menstruação retrógrada sendo a mais aceita. Os principais sintomas incluem dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia profunda e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia envolve a resposta inflamatória e hormonal aos implantes endometrióticos, que são estrogênio-dependentes e respondem aos ciclos menstruais, causando sangramento e inflamação local. O diagnóstico é suspeito pela clínica e exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, que pode identificar endometriomas ou focos de endometriose profunda. O CA-125 pode estar elevado, mas não é diagnóstico. A confirmação definitiva é histopatológica, geralmente obtida por laparoscopia. O tratamento da endometriose é individualizado e depende da intensidade dos sintomas, idade da paciente e desejo de gravidez. Para o manejo da dor, a primeira linha é o tratamento clínico com supressão ovariana, utilizando progestágenos contínuos ou anticoncepcionais orais combinados sem pausas, visando induzir amenorreia e atrofia dos implantes. A cirurgia laparoscópica é reservada para casos refratários, endometriomas grandes, ou quando a infertilidade é a principal queixa. O objetivo é aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e preservar a fertilidade, quando desejado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da endometriose?

Os sintomas clássicos incluem dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica não cíclica, dispareunia profunda, infertilidade e, em alguns casos, sintomas urinários ou intestinais cíclicos.

Por que o tratamento clínico é a primeira linha para endometriose com dor?

A endometriose é uma doença estrogênio-dependente. O tratamento clínico, como progestágenos contínuos ou anticoncepcionais orais combinados sem pausas, visa induzir amenorreia e atrofia dos implantes endometrióticos, aliviando a dor de forma eficaz e menos invasiva que a cirurgia.

Quando a cirurgia é indicada para endometriose?

A cirurgia laparoscópica é indicada para casos de dor refratária ao tratamento clínico, endometriomas ovarianos grandes (> 5 cm), endometriose profunda com comprometimento de órgãos ou em pacientes com infertilidade que desejam engravidar.

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