SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Mulher, 20 anos de idade, há mais de dois anos apresenta quadro de dismenorreia intensa. Teve menarca aos 10 anos de idade, menstruação com intervalo de 20 dias e sangramento menstrual durando, em média, 7 dias. Nuligesta, não usa contraceptivo há um ano. Indique a principal suspeita diagnóstica.
Dismenorreia intensa + nuliparidade + falha em contracepção → Suspeitar fortemente de Endometriose.
A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial fora do útero, causando resposta inflamatória crônica, dor cíclica severa e potencial prejuízo à fertilidade.
A endometriose afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das principais causas de hospitalização ginecológica. O caso clínico apresenta uma paciente jovem com menarca precoce (10 anos) e ciclos curtos (20 dias), o que aumenta a exposição estrogênica e o número de menstruações retrógradas, fatores de risco clássicos para a patologia. A nuliparidade e a não utilização de contraceptivos há um ano sem sucesso gestacional reforçam a suspeita de impacto na fertilidade. Fisiopatologicamente, a teoria de Sampson (menstruação retrógrada) é a mais aceita, embora fatores imunológicos e genéticos determinem por que apenas algumas mulheres desenvolvem os focos. O diagnóstico precoce é crucial para evitar a progressão da doença, que pode levar a aderências pélvicas graves, distorção da anatomia anexial e dor neuropática crônica por sensibilização central.
Os sintomas clássicos incluem a 'tétrade da endometriose': dismenorreia intensa (muitas vezes progressiva), dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica e infertilidade. Sintomas urinários ou intestinais cíclicos (como disquezia durante a menstruação) também são fortes indicadores de focos profundos. A intensidade da dor nem sempre está correlacionada com a extensão das lesões visíveis.
Historicamente, a laparoscopia com biópsia e estudo histopatológico era o padrão-ouro. Atualmente, exames de imagem especializados, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve, realizados por radiologistas experientes, possuem alta sensibilidade para mapeamento de endometriose profunda, permitindo o planejamento terapêutico sem necessariamente uma cirurgia diagnóstica prévia.
O tratamento depende do desejo reprodutivo e da gravidade dos sintomas. Inicialmente, utiliza-se bloqueio hormonal (anticoncepcionais combinados ou apenas progestagênios) para induzir amenorreia e reduzir o estímulo inflamatório nos focos. Analgésicos e anti-inflamatórios auxiliam no controle da dor. A cirurgia é reservada para casos refratários, dor incapacitante ou complicações como obstrução ureteral/intestinal.
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