Endometriose: Fisiopatologia e Mecanismos de Disseminação

HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Sobre a endometriose, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A menstruação retrógrada ocorre em 70-90% das mulheres e apesar de mais comum nas com endometriose, também ocorre nas que não possuem a patologia.
  2. B) O CA-125 pode ser útil para prever a recorrência após tratamento, porém não tem utilidade como técnica diagnóstica.
  3. C) A endometriose ovariana pode ser causada por menstruação retrógrada, mas não por fluxo linfático do útero para o ovário.
  4. D) O risco relativo de endometriose é 7 vezes maior em parentes de primeiro grau.
  5. E) O tratamento clínico ou cirúrgico não reduz a taxa de aborto espontâneo.

Pérola Clínica

Endometriose: menstruação retrógrada é teoria principal, mas disseminação linfática/hematogênica também ocorre, explicando lesões em ovários e locais distantes.

Resumo-Chave

A teoria da menstruação retrógrada é a mais aceita para endometriose pélvica, mas a disseminação linfática e hematogênica são mecanismos válidos que explicam a presença de lesões em locais distantes e a endometriose ovariana, demonstrando a complexidade da fisiopatologia.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, causando dor pélvica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade. Sua fisiopatologia é complexa e multifatorial, com várias teorias propostas. A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada (teoria de Sampson), que sugere que células endometriais viáveis refluxam pelas tubas uterinas durante a menstruação e se implantam no peritônio pélvico. Embora ocorra em 70-90% das mulheres, nem todas desenvolvem endometriose, indicando a necessidade de outros fatores (genéticos, imunológicos). Outras teorias incluem a metaplasia celômica (transformação de células peritoneais em tecido endometrial) e a disseminação linfática ou hematogênica, que explicam a presença de endometriose em locais distantes da pelve e também a endometriose ovariana. O fluxo linfático do útero para o ovário é uma via plausível para a disseminação de células endometriais. O CA-125 é um marcador sérico que pode estar elevado na endometriose, mas sua utilidade diagnóstica é limitada devido à baixa especificidade (pode estar elevado em outras condições). No entanto, pode ser útil no monitoramento da resposta ao tratamento e na detecção de recorrências. O risco de endometriose é significativamente maior em parentes de primeiro grau, indicando um componente genético. O tratamento da endometriose, seja clínico ou cirúrgico, visa aliviar a dor e melhorar a fertilidade, mas não há evidências claras de que reduza a taxa de aborto espontâneo.

Perguntas Frequentes

Qual a teoria mais aceita para a fisiopatologia da endometriose?

A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada (teoria de Sampson), onde células endometriais refluxam pelas tubas uterinas e se implantam no peritônio pélvico. No entanto, ela não explica todos os casos.

O CA-125 é útil para o diagnóstico de endometriose?

O CA-125 pode estar elevado na endometriose, mas não é útil como técnica diagnóstica devido à sua baixa especificidade. É mais empregado para monitorar a resposta ao tratamento e recorrências.

A endometriose pode se disseminar por outras vias além da menstruação retrógrada?

Sim, além da menstruação retrógrada, a endometriose pode se disseminar por via linfática, hematogênica e por metaplasia celômica, explicando a presença de lesões em locais distantes e nos ovários.

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