ICEPI - Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação (ES) — Prova 2022
Uma mulher branca de 32 anos, nulípara, apresenta histórico de agravamento progressivo da dor menstrual, que agora lhe causa sofrimento na maior parte do mês. Ela perde 2 a 3 dias de trabalho todos os meses. Ela não encontra alívio com o ibuprofeno e não mais tolerar a cefaleia associada às pílulas contraceptivas. No momento, ela é sexualmente ativa, com um parceiro de longa data. Seu relacionamento está sendo afetado pelo estresse e pela dor associados à relação sexual. No exame vaginal, sua musculatura pélvica está moderadamente sensível, sem corrimentos vaginais. O útero tem tamanho normal e é pouco sensível. O exame retrovaginal revela nodularidade uterossacral e extrema sensibilidade. As fezes são moles, de cor marrom e heme-negativas. Em relação ao caso exposto, assinalar a alternativa que apresenta o diagnóstico clínico mais provável:
Endometriose: dismenorreia progressiva, dispareunia profunda, nodularidade uterossacral ao exame.
A endometriose deve ser fortemente suspeitada em mulheres com dismenorreia progressiva e incapacitante, dispareunia profunda e dor pélvica crônica, especialmente quando o exame físico revela nodularidade e sensibilidade nos ligamentos uterossacros.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, dismenorreia severa e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e para evitar a progressão da doença. A fisiopatologia mais aceita é a teoria da menstruação retrógrada, onde células endometriais viáveis são transportadas pelas tubas uterinas para a cavidade peritoneal, implantando-se e crescendo. O diagnóstico é primeiramente clínico, baseado na história de dor pélvica cíclica ou acíclica, dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e sintomas intestinais ou urinários relacionados ao ciclo. O exame físico, especialmente o toque retrovaginal, pode revelar nodularidade e sensibilidade nos ligamentos uterossacros, sendo um achado altamente sugestivo. Embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico após biópsia (geralmente por laparoscopia), o tratamento pode ser iniciado com base na forte suspeita clínica. As opções incluem analgésicos, terapia hormonal (ACO, progestágenos, análogos de GnRH) para suprimir o crescimento endometrial, e cirurgia para remover as lesões. O manejo deve ser individualizado, considerando a gravidade dos sintomas, o desejo de gravidez e a idade da paciente.
Os sintomas mais comuns incluem dismenorreia (dor menstrual) progressiva e intensa, dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante a relação sexual), dor ao evacuar ou urinar (especialmente durante a menstruação) e infertilidade.
O exame físico pode revelar sensibilidade e nodularidade nos ligamentos uterossacros, espessamento do septo retovaginal, massas anexiais (endometriomas) e fixação uterina. A dor à mobilização do colo uterino também pode estar presente.
A endometriose pode causar infertilidade por diversos mecanismos, incluindo distorção da anatomia pélvica, formação de aderências, inflamação local que afeta a qualidade dos óvulos e espermatozoides, e alteração da função tubária e ovariana.
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