Diagnóstico de Endometriose: Padrão-Ouro e Biomarcadores

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

A endometriose é uma afecção que acomete cerca de 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo um problema de saúde pública, tanto por impactar a saúde física e psicológica, como socioeconomicamente, pelos custos do diagnóstico, tratamento e monitoramento. A respeito dessa doença, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Não acomete homens e meninas pré-púberes.
  2. B) O diagnóstico é fortemente sugerido pela tomografia computadorizada de pelve.
  3. C) O biomarcador sérico usado com certa frequência em pacientes com endometriose é o CA 19.9.
  4. D) O padrão-ouro para o diagnóstico de endometriose é a laparoscopia.
  5. E) Anticoncepcionais orais combinados são mais efetivos no alívio da dor, em comparação com os progestagênios isolados.

Pérola Clínica

Laparoscopia com biópsia = padrão-ouro para diagnóstico definitivo de endometriose.

Resumo-Chave

Embora exames de imagem como USG com preparo e RM tenham alta acurácia para formas profundas, a laparoscopia permanece como o padrão-ouro por permitir visualização direta e confirmação histopatológica.

Contexto Educacional

A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial (estroma e glândulas) fora da cavidade uterina, provocando uma reação inflamatória crônica. O diagnóstico clínico é baseado na tríade clássica de dismenorreia, dispareunia de profundidade e dor pélvica crônica, além de infertilidade. Embora a laparoscopia seja o padrão-ouro acadêmico, as diretrizes modernas (como as da ESHRE) sugerem que o tratamento pode ser iniciado empiricamente com base na suspeita clínica e achados em exames de imagem especializados. O tratamento clínico visa o controle da dor e a supressão da menstruação, utilizando progestagênios, anticoncepcionais combinados ou análogos do GnRH. É importante notar que não há evidência de que os combinados sejam superiores aos progestagênios isolados; a escolha depende do perfil da paciente e efeitos colaterais. A cirurgia é reservada para casos de dor refratária, obstrução de órgãos vitais ou infertilidade onde o benefício cirúrgico é demonstrado.

Perguntas Frequentes

Por que a laparoscopia é o padrão-ouro no diagnóstico da endometriose?

A laparoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico da endometriose porque permite a visualização direta da cavidade peritoneal, identificando lesões que podem ser imperceptíveis em exames de imagem convencionais, como implantes superficiais, aderências e focos iniciais. Além da visualização, a laparoscopia possibilita a realização de biópsias para confirmação histopatológica, que é o critério definitivo para o diagnóstico. Durante o procedimento, o cirurgião pode avaliar a extensão da doença, classificar seu estadiamento e, frequentemente, realizar o tratamento cirúrgico concomitante através da exérese ou ablação dos focos. Embora exames como a ressonância magnética e a ultrassonografia com preparo intestinal tenham evoluído muito na detecção de endometriose profunda, a sensibilidade da laparoscopia para formas peritoneais superficiais ainda a mantém no topo da hierarquia diagnóstica.

Qual a utilidade do marcador CA-125 na endometriose?

O CA-125 é um biomarcador sérico que pode estar elevado em mulheres com endometriose, especialmente nas formas moderadas a graves (estágios III e IV) ou na presença de endometriomas ovarianos. No entanto, ele possui baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico inicial, uma vez que seus níveis podem aumentar em diversas outras condições, como miomatose uterina, doença inflamatória pélvica, gravidez e até durante o período menstrual. Portanto, um CA-125 normal não exclui a doença, e um valor elevado não a confirma isoladamente. Sua principal utilidade clínica reside no acompanhamento pós-operatório para detecção de recidivas e na monitorização da resposta ao tratamento em pacientes que apresentavam níveis elevados previamente. Outros marcadores, como o CA 19.9, não possuem evidência robusta para uso rotineiro nesta patologia.

A tomografia computadorizada é útil para diagnosticar endometriose?

Não, a tomografia computadorizada (TC) de pelve possui um papel muito limitado e geralmente não é recomendada para o diagnóstico de endometriose. A TC apresenta baixa resolução de contraste para partes moles, o que dificulta a identificação de pequenos implantes peritoneais, focos de endometriose profunda ou a diferenciação entre cistos ovarianos hemorrágicos e endometriomas. Os exames de imagem de escolha, quando se suspeita de endometriose e se deseja evitar inicialmente a laparoscopia, são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal (realizada por radiologista especializado) e a ressonância magnética da pelve com protocolos específicos. Estes exames possuem alta sensibilidade para mapear a doença profunda e o envolvimento de órgãos como o reto, sigmoide e bexiga, auxiliando no planejamento cirúrgico.

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