Endometriose: Tratamento com Dienogeste Contínuo

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 30 anos, sem comorbidades, com duas gestações anteriores e laqueadura tubária há um ano, comparece à UBS com queixa de dismenorreia intensa há dez anos, sendo tratada regularmente com analgésicos. O exame ginecológico é normal, mas a ressonância nuclear magnética de pelve demonstra espessamento de ligamento uterossacro direito, sugestivo de endometriose. O tratamento de escolha para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) dienogeste contínuo
  2. B) histerectomia simples
  3. C) ooforectomia bilateral
  4. D) agonista do GnRH isolado

Pérola Clínica

Endometriose + dismenorreia + laqueadura → Dienogeste contínuo (tratamento de escolha).

Resumo-Chave

Para pacientes com endometriose e dismenorreia intensa, especialmente aquelas que não desejam mais engravidar (como após laqueadura), o tratamento hormonal contínuo com dienogeste é a primeira linha. Ele atua inibindo o crescimento do tecido endometrial ectópico, aliviando a dor e prevenindo a progressão da doença.

Contexto Educacional

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Manifesta-se principalmente por dor pélvica crônica, dismenorreia intensa, dispareunia e infertilidade. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela clínica e exames de imagem como a ressonância magnética, sendo a confirmação definitiva histopatológica. O tratamento da endometriose visa aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e, se desejado, preservar a fertilidade. Para pacientes com dismenorreia intensa e que não desejam mais engravidar, como no caso descrito após laqueadura tubária, o tratamento hormonal é a primeira linha. O dienogeste contínuo é uma opção eficaz, pois atua inibindo o crescimento do tecido endometrial ectópico, reduzindo a produção de estrogênio e promovendo a atrofia das lesões, o que leva a uma melhora significativa dos sintomas dolorosos. Outras opções incluem contraceptivos orais combinados contínuos e análogos do GnRH, que induzem um estado de hipoestrogenismo. A histerectomia e a ooforectomia bilateral são consideradas apenas em casos refratários, com doença extensa e quando outras opções falharam, ou em pacientes que não desejam mais ter filhos e buscam uma solução definitiva, mas não são a primeira escolha devido à sua natureza invasiva e irreversível.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação do dienogeste no tratamento da endometriose?

O dienogeste é um progestagênio sintético que atua inibindo o crescimento do tecido endometrial ectópico. Ele causa atrofia do endométrio, reduz a produção de estrogênio (hormônio que estimula a endometriose) e possui efeitos anti-inflamatórios, resultando na diminuição da dor e das lesões endometrióticas.

Por que o dienogeste contínuo é preferível em casos de endometriose com dismenorreia?

O uso contínuo do dienogeste evita as flutuações hormonais do ciclo menstrual que estimulam o crescimento da endometriose e a dor. A supressão contínua do ciclo menstrual leva a uma melhora significativa da dismenorreia e de outros sintomas dolorosos associados à doença.

Quais são as opções de tratamento para endometriose em pacientes que não desejam engravidar?

Para pacientes com prole completa ou que não desejam engravidar, as opções incluem tratamento hormonal contínuo (como dienogeste, contraceptivos orais combinados), DIU hormonal (levonorgestrel) e, em casos selecionados e refratários, cirurgia para remoção das lesões ou, mais raramente, histerectomia com ou sem ooforectomia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo