HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Paciente de 23 anos, nuligesta, casada, usa preservativo como método contraceptivo, apresenta quadro de dismenorreia secundária e dispareunia profunda. Realizou ultrassonografia transvaginal que mostrou cisto ovariano à direita sugestivo de endometrioma medindo 8,0 cm. A conduta terapêutica mais adequada é:
Endometrioma > 5 cm + sintomas graves + nuligesta → Análogo GnRH pré-cirúrgico + videolaparoscopia.
Em nuligestas com endometrioma grande (>5cm) e sintomas intensos como dismenorreia e dispareunia, a conduta ideal é a supressão hormonal com análogo de GnRH por um período curto para reduzir o tamanho do cisto e a vascularização, seguida de abordagem cirúrgica por videolaparoscopia para remoção do endometrioma.
O endometrioma ovariano é uma forma de endometriose, caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico no ovário, formando cistos preenchidos por um líquido espesso e escuro, conhecido como 'chocolate'. É uma condição comum em mulheres em idade reprodutiva, frequentemente associada a dismenorreia, dispareunia e infertilidade. O diagnóstico é frequentemente feito por ultrassonografia transvaginal. A fisiopatologia da endometriose envolve a implantação e crescimento de células endometriais fora do útero, que respondem aos ciclos hormonais, causando inflamação e dor. Endometriomas maiores que 5 cm, especialmente em pacientes sintomáticas e nuligestas, representam um desafio terapêutico devido ao impacto na fertilidade e na qualidade de vida. A conduta terapêutica para endometriomas grandes e sintomáticos em mulheres que desejam preservar a fertilidade geralmente envolve uma combinação de tratamento clínico e cirúrgico. O uso de análogos de GnRH por um período curto (3-6 meses) antes da cirurgia pode reduzir o tamanho do endometrioma e a inflamação, facilitando a excisão por videolaparoscopia, que é a abordagem cirúrgica de escolha para minimizar a invasividade e preservar o tecido ovariano saudável.
Os sintomas clássicos incluem dismenorreia secundária progressiva, dispareunia profunda, dor pélvica crônica, infertilidade e, em casos de endometrioma, massa anexial palpável ou visível em exames de imagem.
O análogo de GnRH induz um estado de hipoestrogenismo, que pode reduzir o tamanho do endometrioma, diminuir sua vascularização e a inflamação associada, facilitando a ressecção cirúrgica e potencialmente diminuindo o risco de sangramento.
A observação pode levar à progressão dos sintomas e do tamanho do cisto. A punção, por sua vez, tem alta taxa de recidiva, risco de infecção, e não trata a doença de base, além de poder disseminar células endometriais.
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