SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 29 anos de idade procurou atendimento em razão de dismenorréia intensa, dor pélvica crônica e infertilidade há um ano. A ultrassonografia evidenciou imagem sugestiva de endometrioma ovariano de 3 cm. Acerca da abordagem terapêutica, assinale a alternativa que representa a conduta adequada considerando o desejo reprodutivo da paciente:
Endometrioma < 4cm + desejo reprodutivo → priorizar manejo conservador ou reprodução assistida para preservar reserva ovariana.
O tratamento do endometrioma deve ser individualizado. A cirurgia (cistectomia) pode reduzir a reserva ovariana (AMH), devendo ser reservada para casos de dor refratária, cistos grandes (>4-5cm) ou suspeita de malignidade.
O endometrioma ovariano é uma manifestação comum da endometriose, presente em até 30-40% das mulheres com a doença. Sua presença é um marcador de gravidade, frequentemente associado a focos de endometriose profunda. O dilema terapêutico reside no equilíbrio entre tratar a dor e preservar a capacidade reprodutiva. Estudos mostram que o próprio endometrioma causa dano oxidativo ao córtex ovariano, mas a intervenção cirúrgica pode ser ainda mais agressiva. Atualmente, as diretrizes da ESHRE sugerem que a decisão deve ser compartilhada. Para mulheres com infertilidade, a conduta depende da idade da paciente, do tempo de infertilidade e da reserva ovariana basal (medida pelo AMH ou contagem de folículos antrais). Se a reserva já estiver baixa, a cirurgia deve ser evitada em favor da reprodução assistida. Se a dor for o sintoma predominante e a reserva for boa, a cistectomia laparoscópica por técnica excisional (padrão-ouro) pode ser realizada.
A cistectomia ovariana para tratamento de endometriomas, embora eficaz para controle da dor e redução de recidivas, está associada a uma redução significativa da reserva ovariana. Isso ocorre devido à remoção de folículos primordiais adjacentes à cápsula do cisto e ao dano térmico/vascular durante a cirurgia. Em pacientes já inférteis, essa redução pode comprometer o sucesso de futuras técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).
O tratamento clínico (contraceptivos, progestágenos) é a primeira linha para controle da dor (dismenorreia e dor pélvica). No entanto, medicamentos não eliminam o endometrioma nem restauram a fertilidade natural. O manejo conservador (observação ou FIV direta) é preferível quando o endometrioma é pequeno (< 4cm), a paciente é assintomática ou o foco principal é a obtenção imediata da gravidez sem os riscos cirúrgicos à reserva ovariana.
As indicações clássicas para cirurgia incluem: dor pélvica intensa que não responde ao tratamento clínico, suspeita de malignidade (características ultrassonográficas atípicas), crescimento rápido do cisto ou endometriomas volumosos (geralmente > 5-10 cm) que aumentam o risco de torção ovariana ou ruptura. Em pacientes inférteis, a cirurgia pode ser considerada se o cisto dificultar o acesso aos folículos durante a coleta de óvulos na FIV.
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