Endometrioma: Diagnóstico Ultrassonográfico e Dor Pélvica

FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 28 anos procurou atendimento de urgência com quadro de dor abdominal em andar inferior, de forte intensidade. Relata que vem apresentando, há pelo menos seis meses, dor pélvica de intensidade gradativa. No exame ecográfico realizado de urgência, demonstrou a presença de formação cística com ecos internos difusos de baixa intensidade, distribuídos homogeneamente, medindo 6.0 cm, em topografia anexial direita de provável origem ovariana. A hipótese diagnóstica provável é:

Alternativas

  1. A) cisto torcido
  2. B) cisto hemático
  3. C) teratoma imaturo
  4. D) endometrioma

Pérola Clínica

Cisto anexial com ecos internos difusos de baixa intensidade, homogêneos e dor pélvica crônica → endometrioma.

Resumo-Chave

Endometriomas, também conhecidos como "cistos de chocolate", são coleções de sangue antigo e espesso dentro do ovário, resultantes da endometriose. Na ultrassonografia, aparecem como massas císticas com ecos internos homogêneos de baixa intensidade, frequentemente associados à dor pélvica crônica.

Contexto Educacional

Endometriomas são cistos ovarianos resultantes da endometriose, uma condição em que o tecido endometrial cresce fora do útero. São comumente chamados de "cistos de chocolate" devido ao seu conteúdo de sangue antigo, espesso e amarronzado. A endometriose afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e é uma causa significativa de dor pélvica crônica, infertilidade e dispareunia. O diagnóstico de endometrioma é frequentemente suspeitado com base na história clínica de dor pélvica crônica, dismenorreia severa e/ou infertilidade, e confirmado por exames de imagem, principalmente a ultrassonografia pélvica. As características ultrassonográficas típicas incluem uma massa cística com ecos internos difusos de baixa intensidade, homogêneos, que dão a aparência de "vidro moído" ou "ground glass". A presença de focos ecogênicos na parede do cisto também pode ser observada. O manejo do endometrioma depende dos sintomas, tamanho do cisto, desejo de gravidez e idade da paciente. Pode variar desde o acompanhamento expectante, tratamento medicamentoso para controle da dor (analgésicos, contraceptivos hormonais) até a intervenção cirúrgica (cistectomia ovariana) em casos de dor refratária, infertilidade ou suspeita de malignidade. É crucial diferenciar o endometrioma de outras massas anexiais, como cistos hemorrágicos, teratomas ou neoplasias.

Perguntas Frequentes

Quais são as características ultrassonográficas típicas de um endometrioma?

Um endometrioma classicamente se apresenta como uma massa cística unilocular ou multilocular com conteúdo homogêneo de baixa ecogenicidade ("vidro moído" ou "ground glass appearance"), sem componente sólido vascularizado, e frequentemente com focos ecogênicos parietais.

Como diferenciar um endometrioma de um cisto hemorrágico agudo na ultrassonografia?

Cistos hemorrágicos agudos geralmente apresentam um padrão de ecos internos mais heterogêneo e reticular (coágulo em retração), com história de início súbito da dor. Endometriomas tendem a ter ecos homogêneos e história de dor pélvica crônica.

Qual a relação entre endometrioma e dor pélvica crônica?

Endometriomas são uma manifestação da endometriose, uma condição inflamatória crônica. A presença de tecido endometrial ectópico no ovário causa inflamação, sangramento cíclico e formação de aderências, resultando em dor pélvica crônica, dismenorreia e dispareunia.

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