Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
B.C.G., 35 anos, com diagnóstico prévio de endometriose, vem ao PSGO, em bom estado geral, com queixa de dor pélvica. Ao exame físico: massa anexial E, de cerca de 5 cm, dor à palpação profunda ipsilateral. Dor à descompressão brusca negativa. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Endometrioma: massa anexial em paciente com endometriose prévia e dor pélvica, sem sinais de infecção aguda.
Em pacientes com histórico de endometriose e queixa de dor pélvica associada a uma massa anexial, o endometrioma é a hipótese diagnóstica mais provável. A ausência de sinais de irritação peritoneal (como dor à descompressão brusca) e febre afasta processos inflamatórios agudos como abscesso tubo-ovariano ou apendicite.
Endometriomas são cistos ovarianos preenchidos por sangue antigo, resultantes da endometriose, uma condição caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero. Eles são uma das manifestações mais comuns da endometriose ovariana e podem causar dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade. A prevalência de endometriose é estimada em 10-15% das mulheres em idade reprodutiva, sendo os endometriomas encontrados em 17-44% dessas pacientes. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar a qualidade de vida das pacientes e preservar a fertilidade. O diagnóstico de endometrioma é primariamente clínico, baseado na história de dor pélvica e endometriose prévia, e confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia transvaginal o método de escolha. A presença de uma massa anexial cística com conteúdo homogêneo de baixa ecogenicidade (aspecto de 'vidro moído') é altamente sugestiva. O diagnóstico diferencial inclui outras massas anexiais como cistos funcionais, teratomas, cistoadenomas e, em casos de dor aguda, abscesso tubo-ovariano ou torção ovariana. A ausência de sinais sistêmicos de infecção ou irritação peritoneal é um ponto chave para diferenciar o endometrioma de condições agudas. O tratamento depende dos sintomas, tamanho do cisto, desejo de gravidez e idade da paciente. Pode variar desde manejo expectante e controle da dor com analgésicos e terapia hormonal (contraceptivos orais combinados, progestágenos) até cirurgia (cistectomia ovariana) para remoção do endometrioma, especialmente em casos de dor refratária, cistos grandes (>5 cm) ou suspeita de malignidade. A cirurgia deve ser realizada com cautela para preservar a reserva ovariana, especialmente em mulheres que desejam engravidar. O acompanhamento regular é fundamental devido à natureza crônica e recorrente da endometriose.
Um endometrioma geralmente se manifesta como dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e, ao exame físico, uma massa anexial palpável. Pode haver dor à palpação profunda ipsilateral à massa.
A história de endometriose prévia é um forte indicativo. A ausência de febre, leucocitose e sinais de irritação peritoneal ajuda a diferenciá-lo de processos infecciosos como abscesso tubo-ovariano. A ultrassonografia é fundamental para a caracterização da massa.
A conduta pode variar de observação e manejo da dor com anti-inflamatórios e terapia hormonal (ACO, progestágenos) a intervenção cirúrgica para remoção do cisto, especialmente se houver dor intensa, crescimento significativo ou suspeita de malignidade.
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