CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Entre os fatores de risco listados abaixo, quais os mais importantes para o desenvolvimento de endoftalmites pós-operatórias na cirurgia de catarata?
Rotura de cápsula posterior + tempo cirúrgico ↑ = ↑ risco de endoftalmite.
A quebra da barreira física (cápsula posterior) e a manipulação prolongada facilitam a contaminação do vítreo por patógenos da superfície ocular.
A endoftalmite pós-facoemulsificação é uma das complicações mais temidas na oftalmologia, com incidência variando de 0,04% a 0,2%. Embora rara, suas consequências visuais podem ser catastróficas. Fatores intraoperatórios como a rotura de cápsula posterior aumentam o risco em até 10 vezes. Outros fatores incluem incisões claras (clear cornea) sem sutura, uso de silicone e idade avançada. A compreensão desses riscos permite ao cirurgião intensificar os cuidados profiláticos e manter um alto índice de suspeição no acompanhamento pós-operatório imediato.
A cápsula posterior atua como uma barreira anatômica natural que impede a passagem de microrganismos da câmara anterior para o humor vítreo. O vítreo é um excelente meio de cultura e possui menor capacidade de clareamento imunológico do que a câmara anterior. Quando ocorre a rotura da cápsula posterior, especialmente se houver perda vítrea, essa barreira é perdida, permitindo que bactérias da superfície ocular (como Staphylococcus epidermidis) alcancem o segmento posterior, onde podem se proliferar rapidamente, levando a uma infecção grave e potencialmente devastadora.
O tempo cirúrgico prolongado é um fator de risco independente para endoftalmite. Quanto maior o tempo de exposição dos tecidos intraoculares ao ambiente externo e à manipulação instrumental, maior a probabilidade de inoculação bacteriana. Além disso, cirurgias longas geralmente estão associadas a intercorrências técnicas, maior inflamação tecidual e quebra da barreira hemato-aquosa, o que compromete as defesas locais do olho. A eficiência cirúrgica, sem comprometer a segurança, é, portanto, uma medida profilática indireta contra infecções.
A medida profilática com maior nível de evidência (estudo ESCRS) é a injeção intracamerular de cefuroxima (ou moxifloxacino) ao final da cirurgia, que reduziu drasticamente as taxas de infecção. Além disso, a antissepsia pré-operatória com iodopovidona (PVPI) a 5% no saco conjuntival por pelo menos 3 minutos é mandatória. O tratamento de blefarites e dacriocistites antes da cirurgia também é crucial, pois a maioria dos patógenos causadores de endoftalmite provém da própria microbiota conjuntival e palpebral do paciente.
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