Endoftalmite Endógena: Diagnóstico e Conduta Clínica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 70 anos com diabetes tipo 2 apresenta redução progressiva da acuidade visual de ambos os olhos há cerca de uma semana, sem dor. Está internada para tratamento de infarto agudo do miocárdio e insuficiência renal crônica. Ao exame, ambos os olhos apresentam acuidade visual inferior a 0,05, pseudofacia, hiperemia conjuntival 1+, hipópio, vitreíte 1+, condensações esbranquiçadas no vítreo, microaneurismas e exsudatos duros nos quatro quadrantes e cicatrizes de fotocoagulação. Sobre este quadro, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de exacerbação da retinopatia diabética e deve-se realizar injeção intravítrea de antiangiogênico.
  2. B) Propionibacterium acnes é o agente etiológico mais provável.
  3. C) Deve-se solicitar culturas (sangue, urina e cateter) com semeadura para fungos.
  4. D) Antibióticos sistêmicos devem ser iniciados somente após o resultado das culturas.

Pérola Clínica

Hipópio + vitreíte em paciente sistemicamente enfermo → Suspeitar de endoftalmite endógena e solicitar culturas.

Resumo-Chave

A endoftalmite endógena resulta da disseminação hematogênica de patógenos, sendo comum em pacientes com diabetes, IRC ou focos infecciosos distantes, exigindo investigação sistêmica imediata.

Contexto Educacional

A endoftalmite endógena representa um desafio diagnóstico por mimetizar uveítes não infecciosas ou complicações de retinopatias. A fisiopatologia envolve a quebra da barreira hemato-retiniana por microrganismos circulantes. Em pacientes com diabetes tipo 2 e insuficiência renal crônica, a imunidade celular está comprometida, facilitando a translocação bacteriana ou fúngica. O prognóstico visual depende da precocidade do tratamento e da virulência do agente, sendo a Klebsiella associada a piores desfechos funcionais.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a endoftalmite endógena?

A endoftalmite endógena é uma infecção intraocular grave causada pela disseminação de microrganismos (bactérias ou fungos) através da corrente sanguínea. Diferente da exógena, não há trauma ou cirurgia ocular recente. Clinicamente, manifesta-se com dor ocular, redução da acuidade visual, hiperemia conjuntival, hipópio e vitreíte. É frequentemente associada a focos infecciosos em outros órgãos, como endocardite, infecções urinárias ou abscessos hepáticos, especialmente em pacientes imunocomprometidos, diabéticos ou com insuficiência renal.

Quais os principais agentes etiológicos envolvidos?

Os agentes variam conforme a região e a fonte da infecção. Globalmente, fungos como Candida albicans são causas comuns, especialmente em pacientes em uso de cateteres venosos centrais ou nutrição parenteral. Entre as bactérias, destacam-se Klebsiella pneumoniae (frequente em abscessos hepáticos), Staphylococcus aureus e Streptococcus spp. A identificação do agente é crucial para o tratamento direcionado, sendo necessária a coleta de hemoculturas, uroculturas e, se possível, amostras do humor vítreo e aquoso.

Qual a conduta diagnóstica inicial recomendada?

Diante da suspeita clínica, a prioridade é a busca pelo foco infeccioso primário e a identificação do patógeno. Deve-se solicitar imediatamente hemoculturas, uroculturas e culturas de qualquer cateter ou ferida suspeita. A avaliação oftalmológica inclui ultrassonografia ocular se os meios estiverem opacos. O tratamento envolve antibioticoterapia ou antifúngicos sistêmicos e intravítreos, além de vitrectomia posterior em casos graves para reduzir a carga infecciosa e obter material para biópsia.

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