Endoftalmite Crônica por P. acnes Pós-Facoemulsificação

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Paciente apresenta no quinto mês de pós-operatório de facoemulsificação, sem intercorrências no ato cirúrgico, uveíte anterior crônica, parcialmente responsiva a corticoesteroide tópico. Não apresenta hipópio. Qual o agente mais provável?

Alternativas

  1. A) Propioniumbacterium arnes.
  2. B) Pseudomonas aeruginosa.
  3. C) Streptococos pneumoniae.
  4. D) Staphylococos aureus.

Pérola Clínica

Uveíte crônica meses após catarata + resposta parcial a corticoide → pensar em Cutibacterium acnes.

Resumo-Chave

A endoftalmite crônica tardia é causada por patógenos de baixa virulência, como o C. acnes, que ficam retidos no saco capsular, mimetizando uma uveíte anterior persistente.

Contexto Educacional

A endoftalmite pós-operatória crônica é um desafio diagnóstico na oftalmologia. Enquanto a endoftalmite aguda (causada por Staphylococcus ou Pseudomonas) ocorre nos primeiros dias com dor intensa e perda visual súbita, a forma crônica é insidiosa. O Cutibacterium acnes é o agente mais comum, seguido por fungos e Staphylococcus epidermidis. O quadro clínico mimetiza uma uveíte anterior não infecciosa, o que frequentemente atrasa o diagnóstico por meses. O reconhecimento da 'placa branca' no saco capsular ao exame de lâmpada de fenda é crucial. O diagnóstico laboratorial exige cultura prolongada (até 14 dias) em meios específicos para anaeróbios ou técnicas de PCR, já que as culturas padrão de 48 horas costumam ser negativas para este agente.

Perguntas Frequentes

Por que o Propionibacterium acnes causa inflamação tardia?

O Propionibacterium acnes (agora reclassificado como Cutibacterium acnes) é uma bactéria anaeróbia gram-positiva de crescimento muito lento e baixa virulência, que faz parte da microbiota normal da pele e conjuntiva. Durante a cirurgia de catarata, ele pode ser sequestrado dentro do saco capsular, atrás da lente intraocular. Devido ao seu crescimento lento, a inflamação (endoftalmite) só se manifesta meses após o procedimento, frequentemente apresentando-se como uma uveíte anterior granulomatosa crônica com precipitados ceráticos finos ou placas esbranquiçadas no saco capsular.

Como diferenciar essa condição de uma uveíte anterior comum?

A principal pista clínica é o histórico de cirurgia intraocular (como a facoemulsificação) meses antes do início dos sintomas. Diferente de uma uveíte autoimune, a endoftalmite por P. acnes apresenta uma resposta característica: melhora temporária com o uso de corticoides tópicos, mas recorrência imediata assim que a medicação é reduzida ou suspensa. A ausência de hipópio e a presença de uma placa branca capsular (biofilme bacteriano) são sinais patognomônicos que reforçam a suspeita infecciosa.

Qual o tratamento definitivo para endoftalmite por P. acnes?

O tratamento inicial pode envolver a injeção intravítrea de antibióticos (como vancomicina), mas devido à proteção conferida pelo biofilme no saco capsular, a taxa de recorrência é alta. Em muitos casos, o tratamento definitivo requer a vitrectomia via pars plana associada à capsulectomia posterior parcial ou total e, em casos refratários, a remoção da lente intraocular (LIO) para eliminar completamente o foco bacteriano e o biofilme.

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