CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2024
Paciente submetido à cirurgia de catarata há oito meses apresenta quadros recorrentes de uveítes anterior no pós-operatório, refratários ao uso de corticoide e anti-inflamatórios não-esteroidais, associados à diminuição da acuidade visual, conforme os exames complementares abaixo. Dentre as alternativas, qual apresenta a conduta mais resolutiva neste momento?
Uveíte crônica pós-catarata refratária → Suspeitar de Endoftalmite por P. acnes → Conduta: Cirurgia.
A endoftalmite pós-operatória crônica, frequentemente causada pelo Cutibacterium acnes, manifesta-se como uveíte recorrente e requer a remoção cirúrgica do foco infeccioso (biofilme no saco capsular).
A endoftalmite crônica pós-operatória é um desafio diagnóstico devido ao seu curso indolente. Diferente da endoftalmite aguda (que ocorre nos primeiros dias e é devastadora), a forma crônica surge semanas ou meses após o procedimento. O agente etiológico clássico é o Cutibacterium acnes, uma bactéria anaeróbia gram-positiva que faz parte da microbiota da pele e anexos. O tratamento clínico com corticoides melhora os sintomas temporariamente, mas a recorrência é a regra. A vitrectomia posterior associada à capsulectomia e injeção de antibióticos (como vancomicina) é frequentemente necessária. Em casos refratários, a remoção completa do saco capsular e da lente intraocular é a única forma de erradicar o biofilme bacteriano.
A causa mais comum é a endoftalmite pós-operatória crônica, geralmente causada por microrganismos de baixa virulência, como o Cutibacterium (antigo Propionibacterium) acnes. O patógeno fica sequestrado dentro do saco capsular, muitas vezes formando uma placa esbranquiçada, e causa episódios recorrentes de inflamação que respondem parcialmente a corticoides, mas recidivam assim que a medicação é suspensa.
Como o agente infeccioso está protegido por um biofilme dentro do saco capsular ou atrás da lente intraocular (LIO), os antibióticos tópicos ou intravítreos isolados frequentemente falham. A reabordagem cirúrgica permite a remoção da placa infecciosa, capsulectomia parcial ou total e, em casos graves, a remoção ou troca da LIO, eliminando o reservatório da infecção.
Os achados clássicos incluem uveíte anterior granulomatosa de início insidioso (meses após a cirurgia), precipitados ceráticos, hipópio eventual e a presença de uma placa branca opaca na cápsula posterior ou no equador do saco capsular. O diagnóstico definitivo é feito por cultura do humor aquoso ou vítreo, preferencialmente com tempo de incubação prolongado.
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