CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
A endoftalmite crônica pós-facectomia:
Endoftalmite crônica pós-facectomia → início >6 semanas, frequentemente por P. acnes.
A endoftalmite crônica é uma inflamação intraocular indolente que ocorre semanas ou meses após a cirurgia de catarata, simulando uveíte anterior recorrente.
A endoftalmite crônica pós-facectomia representa um desafio diagnóstico devido ao seu início insidioso e curso clínico prolongado. A patogênese envolve a inoculação de microrganismos de baixa virulência durante o ato cirúrgico, que permanecem latentes no saco capsular. O quadro clínico clássico é de uma uveíte anterior que melhora com o uso de colírios de corticoide, mas recidiva assim que a medicação é suspensa. A presença de uma placa branca no saco capsular é altamente sugestiva de infecção por P. acnes. O diagnóstico definitivo é realizado através de cultura do humor aquoso ou vítreo, muitas vezes exigindo tempos de incubação prolongados para detecção do agente.
O agente etiológico mais frequentemente isolado na endoftalmite crônica pós-facectomia é o Propionibacterium acnes, uma bactéria gram-positiva anaeróbia de crescimento lento que faz parte da microbiota normal da pele e anexos. Outros agentes incluem Staphylococcus epidermidis (de baixa virulência) e fungos como Candida albicans. O P. acnes caracteriza-se por formar uma placa esbranquiçada típica no saco capsular posterior, visível ao exame de lâmpada de fenda.
A endoftalmite aguda ocorre geralmente nos primeiros 7 dias após a cirurgia, apresentando dor intensa, baixa acuidade visual súbita, hipópio e hiperemia conjuntival acentuada, sendo causada por agentes virulentos como S. aureus e Pseudomonas. Já a endoftalmite crônica manifesta-se após 6 semanas (podendo levar meses), com inflamação granulomatosa leve a moderada, precipitados ceráticos e resposta transitória a corticoides, mimetizando uma uveíte idiopática.
O tratamento inicial envolve a injeção intravítrea de antibióticos (geralmente Vancomicina). No entanto, devido ao sequestro bacteriano dentro do saco capsular e à formação de biofilme, a recorrência é comum apenas com antibióticos. Casos persistentes frequentemente exigem vitrectomia posterior via pars plana associada à capsulectomia posterior e, em casos refratários, a remoção da lente intraocular (LIO) e de todo o saco capsular.
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