HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025
Paciente masculino 23 anos, com história de febre reumática na infância sem acompanhamento médico, refere início de cansaço, adinamia e febre baixa a pelo menos 40 dias, com piora progressiva. Na última semana refere edema em membros inferiores e falta de ao deitar-se. Refere que há 3 meses sua gata teve filhotes dentro de casa. Exame ecocardiográfico demostra válvula mitral com refluxo intendo decorrente de perfuração de folheto posterior com presença de imagem aditiva de 12mm, móvel que se pronuncia para AD. Fração de ejeção por Simpson de 30%. Suspeitado de endocardite infecciosa, todas as hemoculturas negativas, sorologia para Coxiella burnetii 1:1024 Qual o tratamento de escolha para a patologia deste paciente após o resultado dos exames apresentados:
Endocardite com hemocultura negativa + sorologia Coxiella + contato animal → Febre Q = Doxiciclina + Hidroxicloroquina por 18 meses.
O quadro clínico, ecocardiográfico e laboratorial (hemoculturas negativas, sorologia positiva para Coxiella burnetii) é altamente sugestivo de endocardite por Coxiella burnetii (Febre Q crônica). Esta é uma causa importante de endocardite com hemoculturas negativas e requer um tratamento prolongado e específico com doxiciclina e hidroxicloroquina.
A endocardite infecciosa é uma condição grave que envolve a infecção do endocárdio, frequentemente das válvulas cardíacas. Em cerca de 5-15% dos casos, as hemoculturas podem ser negativas, o que torna o diagnóstico e tratamento um desafio. Nesses cenários, é crucial investigar agentes etiológicos atípicos, como a Coxiella burnetii, agente causador da Febre Q. A Febre Q crônica, manifestada como endocardite, é uma complicação séria e pode ocorrer anos após a infecção aguda. A suspeita de endocardite por Coxiella burnetii deve surgir em pacientes com endocardite de hemoculturas negativas, especialmente aqueles com histórico de exposição a animais (como gado, ovelhas, cabras e, como no caso, gatos que tiveram filhotes, pois a bactéria é eliminada em fluidos de parto). O diagnóstico é confirmado por sorologia (títulos elevados de anticorpos de fase I para Coxiella burnetii) e, por vezes, por PCR ou cultura de fragmentos valvares. O ecocardiograma transesofágico é essencial para avaliar a extensão do dano valvar e a presença de vegetações. O tratamento da endocardite por Coxiella burnetii é prolongado e complexo, geralmente envolvendo a combinação de doxiciclina e hidroxicloroquina por um período mínimo de 18 meses. A hidroxicloroquina atua acidificando o fagolisossomo, o que potencializa a ação da doxiciclina contra a bactéria intracelular. O prognóstico é melhor com diagnóstico precoce e tratamento adequado, mas a doença pode levar a insuficiência cardíaca e necessidade de cirurgia valvar.
Os sintomas da endocardite por Coxiella burnetii são inespecíficos e podem incluir febre prolongada, fadiga, perda de peso, sudorese noturna e sinais de insuficiência cardíaca. A presença de valvulopatia pré-existente e exposição a animais são fatores de risco importantes.
O tratamento de escolha para endocardite por Coxiella burnetii é uma combinação de doxiciclina e hidroxicloroquina. A duração do tratamento é prolongada, geralmente por um mínimo de 18 meses, devido à natureza intracelular da bactéria e ao risco de recaída.
As hemoculturas são frequentemente negativas na endocardite por Coxiella burnetii porque a bactéria é um parasita intracelular obrigatório e não cresce em meios de cultura padrão. O diagnóstico requer métodos sorológicos específicos (títulos de anticorpos de fase I) ou PCR.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo