FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem de 76 anos apresenta quadro de febre intermitente e calafrios de duas semanas de duração. O exame cardíaco é notável por sopro de ejeção sistólico de grau 2/6 na borda esternal superior direita e sopro diastólico precoce de grau 1/4 na borda esternal superior esquerda. Quatro hemoculturas sequenciais evidenciam Staphylococcus aureus. O ecocardiograma transesofágico mostra fração de ejeção normal, estenose aórtica leve, com vegetação de 0,5 cm em valva aórtica. O tratamento parenteral para endocardite é iniciado. Nessa circunstância, assinale a alternativa correta.
Endocardite em valva nativa por S. aureus com vegetação <10mm e sem IC/embolia → antibioticoterapia isolada pode ser curativa.
Em pacientes com endocardite infecciosa em valva nativa, especialmente quando causada por Staphylococcus aureus e sem complicações como insuficiência cardíaca grave, embolia sistêmica significativa ou vegetações grandes (>10mm), a antibioticoterapia prolongada e adequada é frequentemente curativa, sem a necessidade de intervenção cirúrgica.
A endocardite infecciosa é uma condição grave que envolve a infecção do endocárdio, geralmente das valvas cardíacas. O Staphylococcus aureus é um dos patógenos mais virulentos e frequentemente associado à endocardite, tanto em valvas nativas quanto protéticas. A apresentação clínica pode ser insidiosa, com febre e calafrios, ou mais aguda, e o diagnóstico é feito com base em critérios clínicos, microbiológicos (hemoculturas) e de imagem (ecocardiograma). O ecocardiograma transesofágico é fundamental para visualizar vegetações, abscessos e avaliar a função valvar. No caso de endocardite em valva nativa por S. aureus, a antibioticoterapia parenteral prolongada é a pedra angular do tratamento. A decisão de intervir cirurgicamente é complexa e baseada em critérios específicos, como insuficiência cardíaca refratária, infecção não controlada apesar dos antibióticos, vegetações grandes (>10mm) com alto risco de embolia, ou complicações como abscessos ou fístulas. No cenário descrito, com vegetação de 0,5 cm e sem sinais de insuficiência cardíaca grave ou embolia, a antibioticoterapia isolada é uma abordagem razoável e frequentemente curativa. É crucial que o residente saiba diferenciar as indicações de tratamento clínico versus cirúrgico, pois a cirurgia, embora salvadora em casos selecionados, carrega seus próprios riscos.
Critérios incluem insuficiência cardíaca refratária, infecção não controlada (abscesso, fístula), vegetações grandes (>10mm) com alto risco embólico, e endocardite fúngica.
S. aureus é um patógeno agressivo, associado a maior morbidade e mortalidade, com alta capacidade de formar vegetações e causar complicações como embolia e abscessos.
O tratamento antibiótico para endocardite infecciosa geralmente dura de 4 a 6 semanas, dependendo do agente etiológico, da valva afetada e da resposta clínica.
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