SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Um paciente foi submetido a cirurgia cardíaca de troca valvar mitral há seis meses (implante de bioprótese). Procurou atendimento por mal-estar geral, febre alta (40 ºC) e calafrios associados a sudorese há quatro dias, além de sopro com frêmito na ausculta cardiovascular. Os exames neurológicos, respiratório e gastrointestinais eram normais, os sinais vitais estavam estáveis. Realizou um ecocardiograma que evidenciou vegetação de 1,5 cm associada à deiscência de prótese mitral. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. Klebsiela spp. deve ser o germe isolado na hemocultura desse paciente.
Endocardite em bioprótese > 1 ano pós-op: Etiologia similar à nativa (Streptococcus spp.). Klebsiella é incomum.
A endocardite infecciosa em próteses valvares é classificada em precoce (<1 ano pós-op) e tardia (>1 ano pós-op). Embora a questão diga 6 meses, o padrão de germes para endocardite tardia (após 1 ano) se assemelha mais à endocardite em valva nativa, onde Streptococcus spp. e Staphylococcus aureus são comuns. Klebsiella spp. é um patógeno menos frequente em endocardite, embora possa ocorrer, especialmente em pacientes com fatores de risco como imunossupressão ou uso de drogas intravenosas.
A endocardite infecciosa (EI) é uma condição grave que afeta o endocárdio, frequentemente as valvas cardíacas, e é particularmente desafiadora quando ocorre em próteses valvares. A EI em próteses é classificada como precoce (até 1 ano após a cirurgia) ou tardia (mais de 1 ano após a cirurgia), com etiologias microbianas distintas. No caso apresentado, 6 meses pós-cirurgia, a endocardite está no limite da classificação precoce/tardia, mas a tendência é que, quanto mais tempo passa, mais a etiologia se assemelha à endocardite de valva nativa. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações nas valvas, que podem levar à destruição tecidual, como a deiscência da prótese mitral mencionada. Os sinais e sintomas clássicos incluem febre, calafrios, mal-estar e um novo sopro ou alteração de um sopro preexistente. O diagnóstico é confirmado por hemoculturas e ecocardiograma. Para endocardite em prótese tardia, os agentes mais comuns são Streptococcus viridans, Staphylococcus aureus e Enterococcus spp. Klebsiella spp. é um bacilo Gram-negativo que, embora possa causar infecções graves, é um agente etiológico incomum de endocardite infecciosa, especialmente em valvas nativas ou em próteses tardias sem fatores de risco específicos para infecções por Gram-negativos (como uso de drogas intravenosas, imunossupressão grave ou infecções nosocomiais recentes). Portanto, a afirmação de que Klebsiella spp. "deve ser o germe isolado" é incorreta, pois outros patógenos são muito mais prováveis nesse cenário. O tratamento envolve antibioticoterapia prolongada e, frequentemente, cirurgia.
Na endocardite precoce (<1 ano pós-op), Staphylococcus epidermidis (coagulase-negativo) e S. aureus são comuns. Na endocardite tardia (>1 ano pós-op), os agentes são semelhantes aos da valva nativa, como Streptococcus viridans, S. aureus e Enterococcus spp.
Klebsiella spp. pode causar endocardite, mas é um patógeno menos comum, geralmente associado a pacientes com fatores de risco como diabetes, imunossupressão, uso de drogas intravenosas ou infecções nosocomiais, e geralmente está associada a infecções mais graves e com maior mortalidade.
O diagnóstico de endocardite infecciosa é baseado nos Critérios de Duke modificados, que incluem critérios maiores (hemoculturas positivas, evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma) e critérios menores (febre, fenômenos vasculares, fenômenos imunológicos, fatores de risco).
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